Saber gerenciar pessoas é, praticamente, uma arte. Quanto melhor forem as pessoas que trabalham para você, mais atenção você deverá ter com fatos que podem impulsionar ou acabar com a produtividade do seu time. A saída precoce do técnico Juan Carlos Osório do time do São Paulo evidenciou algumas falhas clássicas em gestão de pessoas. Vindo de uma carreira invejável e tido como um técnico capaz de revolucionar a forma como o futebol brasileiro atua (vindo da Colômbia!), o técnico decidiu trocar um dos maiores clubes da América Latina pela seleção mexicana. A saída dele não revolucionou o futebol brasileiro, mas deixou importantes lições de liderança para qualquer empresa.

1. Honre os acordos fechados com seus funcionários

Ao que parece, quando o técnico Osório foi convidado a integrar o time do São Paulo a diretoria do clube “vendeu” uma imagem de que o time estaria pronto para disputar campeonatos. Inclusive, o próprio técnico comentou em diversas entrevistas coletivas que antes da contratação o planejamento era vender apenas um atleta do elenco para fazer caixa (Rodrigo Caio) e que a base do time seria mantida.

Os fatos mostraram que, na verdade, a situação financeira do clube fez com que a diretoria vendesse vários atletas, inclusive alguns que eram base do time. Não é surpresa que isso causou grande insatisfação do técnico com a sua relação com a diretoria do clube.

2. Ofereça boas condições de trabalho

Não adianta você contratar o melhor recurso disponível se você não oferece a melhor condição de trabalho. Com o técnico do São Paulo as condições jogavam contra. Eram intrigas entre os membros da diretoria, um time esfacelado, imprensa cobrando resultados, etc.

Se você não perder o seu talento por um ambiente ruim, o mínimo que vai acontecer é o rendimento dele cair. No caso de Osório, é conhecido que seu esquema de trabalho impõe um rodízio de jogadores. Com o time que ele teria em mãos, caso não houvesse acontecido tantas vendas, este esquema seria facilmente implantado. Porém, com a condição de trabalho real, isso fez com que acabasse com as suas chances de disputar um título do campeonato brasileiro.

Para adicionar turbulência na história toda, um dia antes da tomada de decisão, presidente e vice-presidente brigaram (pela imprensa brigaram fisicamente) em uma reunião de rotina. Você gostaria de trabalhar em um ambiente assim?

3. Seja transparente, independente da situação

Mesmo que a situação da sua empresa seja ruim, é preferível ser honesto e comunicar para os líderes da sua equipe do que ocultar e deixar que eles descubram sozinhos. Não se engane, um bom líder vai perceber e aos poucos descobrir a real situação da sua empresa, portanto, seja transparente desde o começo. Aproveite a situação para explicar o por que sua equipe é tão importante neste momento. Acredite, ao invés de desmotivar seu time você trará aliados para a sua batalha.

Talvez, se a diretoria do São Paulo tivesse sido transparente desde o início e dito “estamos em sérias dificuldades financeiras, teremos que vender boa parte do time e POR ISSO precisamos de um técnico capaz de gerenciar essa mudança”, o técnico Osório teria vindo da mesma maneira, porém, com uma confiança muito maior na diretoria.

4. Valorize a sua equipe

A imprensa esportiva noticiou por diversas vezes que o valor do contrato do técnico Osório era quase que a metade do valor pago para o técnico Muricy Ramalho que o antecedeu. Vindo de um mercado muito menos aquecido quando se trata de futebol, o técnico Osório provavelmente não sabia que técnicos de ponta no Brasil ganhavam tão bem. Pense na situação: você trabalha em uma empresa de ponta, é um profissional disputado pelos melhores empregos, tem um histórico vencedor e… recebe a metade do mercado.

Se isso não for muito bem explicado, com metas claras de performance para um aumento salarial ou com um plano definido de crescimento, pode apostar que será um fator principal de desmotivação para sua equipe. Valorize o seu time o máximo que puder, inclusive financeiramente.

Bônus: 5. Aceite os sonhos pessoais dos membros da sua equipe

Mesmo seguindo as lições acima, uma coisa continua sendo o mais importante e deve ser respeitado: os sonhos individuais das pessoas que trabalham para você. No final do dia, são pessoas com famílias, desejos, sentimentos e tudo que um ser humano tem de bom e ruim. Se o sonho do técnico Osório é disputar uma copa do mundo, talvez a chance tenha aparecido neste momento (e, possivelmente, em função de toda a sua situação no clube brasileiro).

Respeite o desejo e sonhos das pessoas. Isso fará com que tenha profissionais cada vez mais, sinceramente, engajados com a sua missão.

Imagem: reprodução.

Auto-avaliação Departamento Pessoal

Sobre o autor

Marcelo Furtado

Cofundador do Convenia, empresa de tecnologia para a área de recursos humanos de pequenas e médias empresas. É responsável pela criação e execução da estratégia de inbound marketing da empresa que já atraiu mais de 15.000 leads. Formado em Administração de Empresas, com pós-graduação em Engenharia Financeira pela Poli-USP, Marcelo iniciou sua carreira na área de vendas da Pepsico. Logo em seguida iniciou uma trajetória em gestão de Hedge Funds internacionais, tendo trabalhado na Carval Investors e Financial Investimentos. Marcelo também é professor de Inbound Marketing na ESPM.