Um panorama sobre Saúde Mental no trabalho e Burnout

Um panorama sobre Saúde Mental no trabalho e Burnout

Tempo de leitura: 25 minutos

Você já deve ter visto por aí campanhas sobre o Setembro Amarelo e prevenção ao suicídio – e também deve ter se perguntando qual a importância dessas campanhas. A saúde mental hoje é uma preocupação mundial e afeta diretamente o ambiente corporativo. 

Diversos tipos de transtornos mentais vêm causando sofrimento à população e prejuízos em produtividade para as empresas, mas ainda há uma grande necessidade de conscientização sobre o assunto e de entender que as emoções também são parte fundamental nos cuidados com a saúde. 

A promoção de saúde mental no trabalho tem ocupado boa parte da pauta dos profissionais de recursos humanos e, neste post, explicaremos um pouco mais sobre o assunto, além de dar dicas sobre como promover um ambiente saudável na sua organização. 

O cenário da saúde mental 

Atualmente, se tem falado sobre saúde mental mais do que nunca. E o motivo é simples: a saúde mental da população é uma questão alarmante no mundo todo. O Brasil é um dos campeões em casos de depressão – estima-se que entre 3% e 11% da população sofra com o transtorno. Além disso, os transtornos mentais já são a terceira maior causa de perícias médicas no INSS, com a depressão ocupando o primeiro lugar. 

No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1 bilhão de pessoas vivem com transtorno mental, 3 milhões de pessoas morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. O consumo de álcool em excesso pode agravar os problemas mentais já existentes, mesmo que ainda não diagnosticados. Esses dados estão ligados com a questão da acessibilidade a cuidados com a saúde mental – mais de 75% das pessoas com transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias não recebem nenhum tratamento para sua condição. 

Com a pandemia da COVID-19 causada pelo novo coronavírus, que começou a se espalhar no início de 2020 e fez milhares de pessoas entrarem em isolamento social por meses no país, transtornos como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático tiveram um aumento de novos casos e reincidências alarmantes. O cenário de incerteza sobre o futuro e o alto índice de mortalidade pela doença são estressantes por si só, mas quando somados à privação da vida social e restrição das antigas rotinas, deixam a população ainda mais vulnerável.

O ser humano é um ser social e estamos vivendo numa época em que toda essa situação põe em risco nossa vida – é o combo perfeito para o desenvolvimento (ou retorno) de transtornos mentais. São milhares de pessoas se adaptando e equilibrando suas demandas domésticas e de trabalho sem um preparo prévio para isso. 

A pandemia do coronavírus é um dos maiores desafios já vividos pela sociedade contemporânea e, junto com ela virá uma onda de consequências, sendo a maior delas a debilidade da saúde mental de milhões de pessoas. Por isso, é preciso nos conscientizar sobre o assunto para que tenhamos ambientes saudáveis – em qualquer lugar e sobre todos os aspectos que rondam a saúde mental. 

Entendendo os transtornos mentais mais comuns 

O trabalho de conscientização envolve saber quais os transtornos mentais mais comuns, seus tratamentos e quais seus sintomas, a fim evitar estigmas sobre essas doenças e promover a busca por ajuda profissional. Em outras palavras, conscientizar sobre saúde mental e fazer entender o que a afeta é mostrar que a mente é tão importante quanto qualquer outro órgão do corpo humano e que ela é fundamental para que todo o resto do organismo funcione bem. 

Tenha sempre em mente que doenças mentais devem ser diagnosticadas e tratadas com o mesmo respeito e seriedade de qualquer outra enfermidade que atinge o corpo, ou seja, sempre com acompanhamento profissional. Conheça os transtornos que mais afetam  a população brasileira:

Ansiedade

A ansiedade é uma emoção natural do ser humano e costuma aparecer em situações desconhecidas, novas ou inesperadas. Em níveis saudáveis, ela nos ajuda a enfrentar desafios, porém quando se torna intensa, com preocupações e medos excessivos, constantes e difíceis de controlar, passa a ser considerada como um transtorno mental. 

A ansiedade saudável é pontual, causada por algum evento como mecanismo de defesa e proporcional ao momento. Cada pessoa sente a ansiedade de uma forma diferente, mas alguns sinais são comuns em pessoas que sofrem desse transtorno: pensamentos negativos que criam uma visão desproporcional da realidade, de forma recorrente e persistente, trazendo prejuízos à saúde e alto nível de sofrimento – tudo isso acontece sem uma razão aparente. 

Em outras palavras, a ansiedade se caracteriza por uma preocupação intensa, excessiva, persistente e medo de situações cotidianas, mesmo quando não há contexto onde a emoção apareceria como defesa natural. A pessoa que sofre com este transtorno tende a imaginar sempre cenários desastrosos, enxergando perigo em praticamente tudo, gerando preocupações irreais sobre o futuro. 

Sintomas

Por exemplo, uma simples ida ao mercado pode ser extremamente estressante agora na pandemia para alguém ansioso, ele irá higienizar as compras excessivamente e ficará dias pensando, de forma obsessiva, se foi infectado. Além disso, é comum o surgimento de sintomas físicos como:

  • Dor de cabeça; 
  • Cansaço; 
  • Insônia;
  • Falta de ar;
  • Palpitações;
  • Dor de estômago;
  • Náusea;
  • Tensão muscular;
  • Sudorese;
  • Tremores. 

Tratamento

É importante ressaltar que a ansiedade é natural e é impossível não tê-la em algum momento. A ansiedade em níveis prejudiciais, como descrito acima, pode ser tratada com medicação e acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além do uso de técnicas e estratégias de medicação que auxiliam a trazê-la a níveis saudáveis.

Depressão

A depressão é, hoje, o transtorno com maior número de casos no mundo – e o Brasil está entre os países mais depressivos. Ela é caracterizada pelo humor depressivo persistente, perda de interesse em atividades e apatia, podendo surgir a partir de um grande evento, como divórcio, falência, perda do emprego, morte de uma pessoa próxima ou por conta de um desequilíbrio na bioquímica do cérebro. 

Com a pandemia do coronavírus, um evento mundial nunca antes presenciado e de difícil resolução até o lançamento da vacina, a preocupação com a saúde mental se tornou uma das principais causas da OMS. Além disso, estudos indicam que o componente presente no código genético representa  40% da suscetibilidade para desenvolver depressão, ou seja, descendentes de pessoas depressivas possuem maior tendência a ser acometidos pelo transtorno. 

Sintomas

Entre os sintomas estão: 

  • Perda de interesse ou prazer em atividades antes apreciadas; 
  • Alterações no apetite, perda de peso ou ganho não relacionado à dieta ou outras enfermidades; 
  • Problemas para dormir ou dormir demais; 
  • Redução do interesse sexual (também conhecido como libido); 
  • Dores e sintomas físicos difusos como mal estar, cansaço, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia, sudorese. 
  • Baixa autoestima e pensamentos sobre morte ou suicidas também são comuns. 

Por fim, os maiores fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença estão o estresse crônico, a ansiedade crônica (comumente quem tem depressão também tem ansiedade), dependência de álcool e drogas ilícitas. Por conta disso, o combate ao estresse – principalmente no ambiente corporativo – e a prevenção ao uso de entorpecentes estão sempre na lista de hábitos para prevenir a depressão, junto com uma rotina regular de sono, dieta balanceada e práticas de exercícios – em conjunto, eles mantém a bioquímica do cérebro saudável. 

Frases como “mas você tem tudo”, “você nem parece ter depressão”, “já tentou não ficar triste?” ou “tem gente com problemas maiores” só reforçam o estigma sobre o transtorno e diminuem o sofrimento alheio. Lembre-se que a depressão não é frescura, coisa de louco ou “falta de deus”, a depressão é uma doença séria e deve ser tratada como tal. 

Tratamento

O diagnóstico é realizado por um profissional da área da saúde após coleta completa do histórico do paciente e realização de exames do estado mental. O tratamento é feito por medicamentos antidepressivos e acompanhamento terapêutico e, o tipo de medicação será definido de acordo com o caso e sua intensidade, podendo sempre ter alterações conforme a evolução do tratamento. 

Após iniciado, é fundamental que o paciente siga as orientações médicas corretamente, sem interrupções, pois o uso inadequado da medicação pode aumentar significativamente o risco de reincidência.

Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) 

O transtorno do estresse pós-traumático é um distúrbio caracterizado pela dificuldade em se recuperar depois de vivenciar ou testemunhar um acontecimento impactante, acompanhado de uma ansiedade crônica após o acontecimento do evento traumático. Estima-se que até 20% das pessoas que estiveram envolvidas em casos de abuso sexual, terrorismo, tortura, assalto, sequestro, acidentes, guerra, catástrofes naturais ou provocadas, desenvolvem esse tipo de transtorno. 

Sintomas

Essa condição pode durar meses ou anos, com gatilhos que podem trazer de volta memórias do trauma acompanhadas por intensas reações emocionais e físicas. Entre os sintomas estão:

  • Pesadelos ou lembranças repentinas (flashbacks); 
  • Fuga de situações que lembram o trauma;
  • Reações exageradas a estímulos;
  • Ansiedade e humor deprimido. 

Por exemplo, um soldado sobrevivente do campo de guerra pode confundir um barulho de um carburador com o de um tiro e ter uma reação igual a que teve no campo, mesmo estando longe dele fisicamente e até anos depois. 

As causas do estresse pós-traumático variam bastante. O transtorno pode ser causado por uma situação em que é ameaçada a vida da pessoa fisicamente, psiquicamente, socialmente ou até mesmo financeiramente. Por isso o isolamento social devido à pandemia do coronavírus preocupa as autoridades de saúde. Com a privação do contato social e a ameaça física à vida, é bem provável que haverá um aumento de casos de TEPT quando começarmos a voltar para nossas antigas rotinas.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP) e por outras universidades brasileiras, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, levantou a hipótese que a causa do transtorno está no desequilíbrio dos níveis de cortisol (hormônio responsável pelo controle do estresse no corpo) ou na redução de 8% a 10% do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas localizadas no cérebro que participam da memória de trabalho (onde as informações estão presentes visando seu uso imediato) e da memória de longo prazo implícita (aquela que guarda informações estreitamente relacionadas às condições originais em que o aprendizado ocorreu). O dano nessas áreas prejudica o funcionamento saudável das relações com as demais áreas cerebrais.

Tratamento

O tratamento inclui diferentes tipos de psicoterapias, bem como medicamentos para tratar os sintomas. É importante ficar atento a eles e não exitar em procurar ajuda profissional. O transtorno pode acometer qualquer pessoa e em qualquer fase da vida. 

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

O transtorno obsessivo-compulsivo é mais famoso pela sua sigla, o TOC, e também pela obsessão por algo. Muita gente relaciona a mania de organização e limpeza com o TOC, mas apesar de serem áreas comuns envolvidas, o transtorno vai muito além disso. 

O transtorno é caracterizado por pensamentos obsessivos que levam a comportamentos compulsivos. Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais em que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.

Estes pensamentos invadem a mente da pessoa insistentemente de forma não requerida e faz com que ela adote rituais para saná-los. É comum os relatos de pacientes que acreditam que se não realizarem determinados rituais, algo ruim acontecerá por causa disso. Esse medo irracional e consequente prejuízo à rotina diária é o que diferencia uma pessoa que gosta de organizar e limpar de uma pessoa com TOC relacionado a essas áreas – a primeira consegue viver se algo estiver fora do lugar, a pessoa com TOC não. Outras áreas comuns no desenvolvimento de rituais são a checagem ou conferência, contagem, simetria e colecionismo. Ao longo da evolução da doença tais rituais podem variar. 

Sintomas

Os sintomas geralmente começam de modo gradual e variam ao longo da vida. Se não tratado, o transtorno pode se agravar conforme os rituais se estabelecem, podendo se tornar um obstáculo não só para a rotina diária da pessoa como para todos que a cercam. Outro sintoma comum é evitar situações que possam desencadear o medo – por exemplo, uma pessoa com fobia de germes irá evitar ao máximo situações em que acha que irá se infectar, como ir a hospitais. 

Tratamento

O tratamento inclui psicoterapia, medicamentos ou ambos. A causa do transtorno ainda não foi esclarecida pela comunidade médica, mas diversos fatores podem contribuir para o seu aparecimento. Então em caso de dúvidas, procure ajuda especializada. 

A saúde mental no trabalho e o famoso burnout 

Você já deve ter ouvido falar também sobre o burnout. O termo vem do inglês,  “burn” quer dizer queima e “out” exterior. No português, pode ser substituído pela estafa ou traduzido para Síndrome do Esgotamento Profissional. 

Independente de como é chamada, a síndrome é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento resultante de situações de trabalho desgastante física, psicológica e/ou emocionalmente, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. É exclusivamente associada com questões corporativas.

Nenhum profissional está livre de ser acometido pelo burnout, mas algumas profissões estão mais propensas a sofrer com a síndrome por conta do seu ambiente que exige envolvimento interpessoal direto e intenso, como as áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros e policiais, por exemplo. 

Fatores que podem contribuir para o surgimento da síndrome

Dentro do ambiente corporativo, alguns fatores podem contribuir para o surgimento da síndrome: 

  • Volumes de trabalho ou limitações temporais excessivas;
  • Exigências contraditórias;
  • Falta de clareza quanto ao papel do trabalhador;
  • Comunicação deficiente;
  • Mudança organizacional mal gerida.

Por isso é de fundamental importância que a gestão de pessoas e o clima organizacional estejam no foco dos esforços do setor de RH dentro da empresa. Um ambiente de trabalho saudável é sinônimo de saúde para todos os envolvidos. Entre as estratégias para promover melhorias no ambiente empresarial, a principal é dar assistência médica e psicológica àqueles que sentirem necessidade e promover a conscientização sobre a síndrome. 

Sintomas

O que diferencia o burnout do estresse comum é a intensidade e duração dos sintomas. No primeiro caso, o cenário é devastador, extremo, superior à capacidade pessoal de lidar com questões do dia a dia de modo eficiente, estando relacionado exclusivamente ao trabalho. Entre os sintomas da síndrome, estão: 

Junto a eles, podem aparecer sintomas físicos que podem estar associadas à síndrome como dor de cabeça, enxaqueca, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma e distúrbios gastrintestinais. Outros problemas físicos podem aparecer por conta da imunidade baixa causada pelo estresse, variando de acordo com o histórico de saúde e tendência de cada profissional. 

Além disso, há sinais que podemos notar quando alguém está estressado além da conta, como por exemplo o exagero no uso de estimulantes, como café, refrigerante e cigarro para permanecer alerta – o uso de álcool como forma de relaxamento também pode aumentar. 

É importante ressaltar que a síndrome não surge da noite para o dia, seu desenvolvimento pode levar anos. Normalmente esses sintomas surgem de forma leve, mas tendem a piorar com o passar dos dias. Por essa razão, muitas pessoas acham que pode ser algo passageiro, mas todo cuidado é pouco e para evitar problemas mais sérios e complicações da doença, é fundamental buscar apoio profissional assim que notar qualquer sinal.

Como promover um ambiente corporativo saudável 

Depois de entender as diferenças entre cada transtorno, é preciso agir para promover um ambiente saudável. Mas como fazer isso? Um guia recente publicado pelo Fórum Econômico Mundial com 7 passos para melhorar o ambiente de trabalho mostra que as intervenções nas organizações devem ter três abordagens:

  1. Proteger a saúde mental, reduzindo os fatores de risco relacionados ao trabalho;
  2. Promover a saúde mental ao desenvolver aspectos positivos de trabalho e as habilidades dos empregados;
  3. Enfrentar casos de problemas de saúde mental, independentemente da causa.

Com estes pontos em mente, é preciso mapear o que é preciso melhorar dentro da sua empresa e planejar o que deverá ser feito. Separamos cinco dicas práticas de como promover um ambiente de trabalho mentalmente saudável. Confira! 

1. Incentive pausas durante o expediente

Aquela pausa para o café ou lanche da tarde são grandes aliadas para a saúde mental e a produtividade dos colaboradores, trazendo diversos benefícios (desde que realizados fora da mesa), entre eles:

  • Aumento da inspiração: às vezes quando se passa muito tempo em uma mesma tarefa, uma solução que é relativamente simples , pode parecer difícil de encontrar – a pausa ajuda a aumentar a inspiração e simplificar soluções;
  • Descanso da visão: passar horas a fio na frente do computador pode ser muito prejudicial aos olhos- as pausas esporádicas ajudam a preservar a saúde da visão;
  • Prevenção de lesões: hoje é sabido que evitar o sedentarismo também é uma questão importante para se manter saudável: levantar da sua cadeira, dar uma volta e se alongar não só vão ajudar o seu dia a ser mais produtivo como serão hábitos que auxiliarão na sua saúde física;
  • Alívio do estresse: quando estamos tensos por alguma razão, é importante parar um pouco e se distanciar da situação para poder avaliá-la com outras perspectivas, evitando assim que você tome alguma decisão precipitada.

Pequenas ações como estas descritas aqui, se adotadas como rotina, podem prevenir casos de burnout e melhorar o clima organizacional. Mas é preciso entender que apenas isso não é o suficiente, é necessário um conjunto de ações em toda a estrutura da empresa para tornar o ambiente saudável, como veremos nas ações seguintes.  

2. Incentive a comunicação não-violenta

A comunicação é parte fundamental de nossas vidas e a maneira como você diz algo pode ter grandes impactos em quem ouve. Nossa linguagem pode ser uma ferramenta para iniciar atritos ou promover mudanças, tudo depende de como será usada. 

A comunicação não-violenta (CNV) tem ganhado cada vez mais espaço no ambiente corporativo por promover o diálogo com compaixão. Em outras palavras, a comunicação não-violenta é uma abordagem para se relacionar com outros indivíduos de maneira menos agressiva e mais empática.

O principal mandamento da CNV é exercitar a capacidade de se expressar sem julgamentos e sem classificações de “certo” e “errado”, que buscam “vencer” um debate com o interlocutor e provar um ponto de vista. Ao invés de acusar o outro por atos com os quais não concordamos, dizer como nos sentimos diante deles. Existem alguns passos que ajudam na prática: 

  1. Observação (sobre as ações ou falas da pessoa que estão nos incomodando ou gerando conflito, em vez de julgamento);
  2. Sentimentos (que estão sendo aflorados dentro de você a partir das atitudes da pessoa, em vez de avaliações);
  3. Necessidades (geradas pelos sentimentos, em vez de estratégias);
  4. Pedidos (deixando claro as necessidades que desejamos que sejam atendidas, em vez de ordens).

Em resumo: comunique suas observações a partir do que aconteceu ou foi dito, depois explique o que você sentiu a partir dessas atitudes, fale do que você precisa, se está sendo ou não atendido e, por fim, faça um pedido claro do que você deseja. Essa abordagem pode ser usada tanto para se expressar como para ouvir.

Para facilitar, um exemplo: quando se fala “você nunca cumpre os prazos quando peço relatórios” é agressivo, pois há o julgamento da pessoa em questão e coloca a outra como culpada da situação. É vago e sem fundamentos. 

Com a CNV, a frase seria: “você não cumpriu os prazos dos últimos três relatórios e eu me senti frustrado, porque isso não foi o combinado. Precisamos garantir que as próximas entregas de relatório aconteçam dentro do prazo, pois isso atrasa o trabalho de outros times, posso contar que entregaremos o próximo no dia combinado?”

Dessa forma, o locutor da frase expressa em que momento específico a atitude aconteceu, deixa claro a consequência emocional sobre si, a importância e a necessidade do que não foi atendido, e por fim faz um pedido claro e específico – sem julgamentos de culpa e espaço para outras interpretações. 

Com o tempo e a prática, usar essa abordagem fica mais natural e curta, gerando um diálogo empático mesmo em situações delicadas. 

3. Ofereça assistência

Seguindo a terceira abordagem sugerida pelo guia do Fórum Econômico Mundial citado anteriormente, a questão da assistência é fator de extrema importância num ambiente saudável. Doenças mentais devem ser tratadas com a mesma seriedade de qualquer outro tipo de enfermidade, independente de sua causa. 

Oferecer assistência médica e psicológica a seus colaboradores lhes dá segurança de falar sobre o assunto e garantia de que isso não os prejudicará no trabalho durante e após o tratamento. Além disso, mostra cuidado com o bem-estar de todos e promove uma visão sem estigmas sobre o assunto, além de reter talentos.

Entre as ações de assistência, estão a oferta de planos de saúde com cobertura para psicoterapia e tratamentos psiquiátricos, parcerias de incentivo de prática de esportes, como descontos em academias e escolas, além de horário flexível para que todos possam ter disponibilidade para a realização destas atividades. Em caso de dúvidas sobre onde procurar atendimento, consulte o Mapa da Saúde Mental

4. Implemente um programa de bem-estar 

Um programa de bem-estar inclui uma série de iniciativas para promover e manter o ambiente saudável. O programa deve analisar o ambiente e propor soluções. Entre as áreas a serem trabalhadas dentro do programa estão: 

  • Treinamento de lideranças: é preciso treinar quem está à frente dos times para que possa discutir sobre isso e que tal discurso também seja refletido em suas ações cotidianas;
  • Reforço na cultura: a saúde e o bem-estar devem estar integrados a cada prática de negócios e à política da empresa – o que inclui o cuidado com as pessoas como um todo (física e emocionalmente);
  • Participação do colaborador: um programa como este deve ter a participação dos colaboradores em seu planejamento, é preciso envolver todos os times para que se sintam parte disso;
  • Pesquisas regulares: para saber o que está dando certo, é necessário perguntar aos envolvidos. Com o resultado em mãos, as melhorias podem ser realizadas de forma assertiva (além de reforçar o item anterior); 
  • Promoção de eventos sociais: o ser humano é um ser social, precisamos desse tipo de contato em nossas vidas, por isso eventos como festa de final de ano ou mesmo um simples café da manhã coletivo podem colaborar com o bem-estar. 

Por último, não esqueça do ambiente físico. Cadeiras e temperatura confortável, por exemplo, também fazem a diferença no humor dos colaboradores. Para não se perder, faça um planejamento iniciando com pequenos passos, incluindo ações para o desenvolvimento pessoal de seus colaboradores. 

5. Conscientize todo o time 

A conscientização sobre saúde mental é, hoje, a principal chave para a quebra de estigmas e a diminuição do sofrimento. Muitas pessoas deixam de buscar ajuda acreditando que seus sentimentos não tenham tanta importância quanto os sintomas físicos ou que seu estado seja passageiro. Isso, muitas vezes, pode piorar a situação. 

Além de mostrar quais os sintomas de cada transtorno, é fundamental discutir também ideias errôneas que as pessoas difundem sobre as doenças mentais. Ter depressão não é “falta de deus”, ter TOC não é “coisa de louco”, burnout não é apenas cansaço. Frases como estas apenas reforçam o estigma sobre os transtornos e diminuem o sofrimento alheio. É preciso também normalizar a ideia de que todos temos dias ruins e que está tudo bem não estar bem. 

Ter um time consciente da seriedade do assunto é ter um ambiente com abertura para discussões sem julgamentos. Ter um time consciente é ter pessoas que se apoiam e entendem a situação do outro, mesmo que nunca tenha passado por algo parecido. A empatia é a chave principal para um ambiente saudável, seja ele corporativo ou não, e apenas com conhecimento da causa isso será possível. 

Onde procurar ajuda e mais informações 

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Ligue 188 ou acesse cvv.org.br. O atendimento é gratuito, sigiloso e acontece 24h. 

Mapa da saúde mental 

Acesse mapasaudemental.com.br

Mostra os principais serviços de apoio e cuidados disponível no país

Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio – ABEPS

Acesse abeps.org.br

Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio

Acesse vitaalere.com.br

Safernet – segurança na internet

Acesse safernet.org.br

A conscientização sobre o assunto é apenas o primeiro passo para um ambiente de trabalho psicologicamente saudável. Tenha em mente que cada caso é único e deve ser tratado por um profissional da área da saúde. 

Em caso de dúvidas, o aconselhável é sempre procurar por mais informações, dessa forma o RH desempenha o papel de conscientizar o time como um todo e de orientar o colaborador a buscar pelo profissional correto e capacitado. 

Guia: Employee Experience por meio da Convenia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *