O que é capacitismo e como evitá-lo no trabalho?

Você sabe o que é capacitismo? É importante entender o significado desse termo para que as empresas não reforcem a prática no dia a dia.

O capacitismo acontece quando uma pessoa com deficiência sofre discriminação de qualquer natureza. 

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) instituída em 2015, tem como objetivo assegurar que as pessoas com deficiência tenham os seus direitos preservados. Por isso, é importante discutir o tema em nossa sociedade para que a diversidade faça parte do dia a dia das organizações. 

Ao final deste conteúdo você vai conferir um manual exclusivo sobre diversidade e inclusão a fim de promover a empatia nas organizações. Boa leitura! 

Afinal: você sabe o que é capacitismo?

O capacitismo é a discriminação contra pessoas com deficiência e neurodivergentes. É quando alguém pensa que uma pessoa com deficiência não conseguirá fazer as suas atividades normais, depreciando-a de alguma forma.

O preconceito que as pessoas enfrentam é algo real. Mais de 24% dos brasileiros têm alguma deficiência (o que representa cerca de 45 milhões de cidadãos), seja ela física, psicológica ou sensorial. 

Antes de ser uma pessoa com deficiência, ela é um ser humano dotada de vontades, sonhos e sentimentos. Ainda na infância, esses indivíduos já sofrem preconceito nas escolas, tendo que lidar com profissionais despreparados que não sabem como educá-los. 

Quando eles crescem, esses problemas continuam, já que a mobilidade de calçadas e entradas de estabelecimentos ainda não são adaptados à eles. 

No mercado de trabalho, o fato passa a ser ainda mais difícil, pois a maioria dos empregadores subestimam a capacidade de uma pessoa com deficiência.

Como mencionamos no começo deste artigo, a Lei Brasileira da Inclusão (LBI) determina que a pessoa com deficiência tenha uma vida social normal, ou seja, com os seus direitos assegurados. 

Antes disso, a Lei de Cotas (criada em 1991) já garantia a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, assim como: estudantes de baixa renda, negros, indígenas e pardos têm acesso à educação fundamental ou superior. 

Como o capacitismo acontece?

Muitas pessoas ainda não sabem o que é capacitismo, por isso acabam praticando-o sem querer ou sem ter o conhecimento necessário. Mas, infelizmente, ele acontece no dia a dia, nas pequenas ações das pessoas. Vamos conferir alguns exemplos:

Presumir algo

Uma pessoa com deficiência muitas vezes pedirá ajuda se precisar. Mas, o que acontece é que algumas pessoas já fazem algo por ela sem terem sido solicitadas, presumindo que precisavam de ajuda. 

Deficiência não é uma doença

Tratar a deficiência como se fosse uma doença é algo ligado ao capacitismo. Cada pessoa é única e não pode ser tratada como se ela fosse alguém doente.  

A pessoa tem a obrigação de ser exemplo

Ver uma pessoa com deficiência realizando as suas tarefas normais pode despertar em algumas a ideia de que ela está se superando, ou que ela tem a obrigação de ser um exemplo. 

Esse pensamento reforça a ideia de que a PCD (pessoa com deficiência) não teria a capacidade de fazer algo sozinha e isso é incomum. 

Como evitar o capacitismo no ambiente de trabalho?

É preciso reforçar no ambiente de trabalho o que é capacitismo a fim de combater o preconceito em falas aparentemente inocentes. 

Uma simples maneira de falar que uma pessoa com deficiência pode não conseguir realizar uma atividade, já demonstra o certo preconceito em relação à ela. 

A maioria das pessoas entende que a PCD não é capaz de desenvolver atividades profissionais e pessoais. 

Agora que já entendemos como o capacitismo pode se apresentar no trabalho, é necessário saber como evitá-lo. 

  • Criar processos seletivos inclusivos, onde os profissionais se sentirão prontos para participar, tais como: questionários que possuem leitura em braile, formatos de áudio, gestores que sabem a linguagem de sinais, etc;
  • Promover workshops e palestras que abordem o tema de forma objetiva e prática;
  • Instruir lideranças e gestores a lidarem com a inclusão e diversidade de pessoas na empresa;
  • Cuidar para não promover expressões capacitistas no ambiente de trabalho, tais como dizer que um determinado colaborador tem necessidades especiais, etc.
  • Estimular a leitura saudável entre os colaboradores de como as empresas podem incluir a pessoa com deficiência;
  • Deixar de dar feedbacks negativos ao colaborador porque é uma PCD. 

Pode ser que demore um tempo para que as empresas se adaptem a essas mudanças e passem a encarar o assunto com mais naturalidade. O importante é estimular a acessibilidade, inclusão e o respeito às pessoas acima de tudo.

Capacitismo: 4 termos para tirar do seu vocabulário

Vimos que o capacitismo é um problema que precisa ser combatido todos os dias não só nas empresas, mas também na sociedade. Por desconhecerem o que é capacitismo, as pessoas acabam reforçando o preconceito. Veja a seguir os principais termos que precisam ser tirados do nosso vocabulário:

1- Que mancada eu dei! 

O termo parece inofensivo, mas por vir do verbo mancar, pode ofender a pessoa que manca e tem dificuldades para se locomover. Nesse caso, é melhor substituir essa expressão por cometi um erro

2- Não temos braço na equipe para suprir essa demanda

Não é legal relacionar a falta de um profissional na equipe com um membro do corpo, afinal, isso não tem nada a ver com produtividade. O recomendado é usar a expressão “não temos pessoas disponíveis para suprir essa demanda”. 

3- Em terra de cego, quem tem um olho é rei

Essa expressão popular infelizmente ainda é muito comum entre as pessoas. Mas na verdade ela passa a impressão de que quem é deficiente visual está sujeito a ser enganado por seus superiores na empresa ou por pessoas na sociedade. Não é preciso substituir por nenhuma expressão, pois é melhor nem usá-la. 

4- Usar termos como você é surdo, cego, mudo ou incapacitado

Além de serem ofensivos, nos acostumar a usar esses termos de forma natural é algo pouco respeitoso. As deficiências existem sim, porém, usá-las para chamar a atenção de alguém em palavras coloquiais não é ideal. 

Sabemos que há um longo caminho a ser percorrido em relação à inclusão de pessoas no ambiente de trabalho. Por isso, o preconceito deve ser combatido na sociedade, na vida diária das pessoas e empresas.

Para ajudar a promover a inclusão de pessoas no mercado de trabalho, preparamos um material exclusivo para a sua empresas. Baixe aqui agora mesmo o [Manual] Employer branding: Diversidade e inclusão como pilar estratégico e aproveite!

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Marcelo Furtado

Marcelo Furtado é administrador de empresas com pós-graduação em engenharia financeira pela Poli-USP. Iniciou sua carreira na Pepsico e posteriormente trabalhou 8 anos com gestão de ativos em hedge funds. É cofundador da Convenia, primeiro software na nuvem de gestão de departamento pessoal voltado para pequenas e médias empresas no Brasil. Marcelo também atua como professor de Marketing Digital na ESPM-SP e mentor na ACE e Google Campus.

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