RH e colaborador: como lidar com o luto em tempos de pandemia?

O Painel Coronavírus do Governo Federal revela que, no Brasil, já foram registradas mais de seiscentas mil mortes devido à pandemia. No entanto, esses números não conseguem mensurar a dor das famílias que perderam um ente querido. Os efeitos emocionais podem ser devastadores. Por isso, muitos se perguntam: como lidar com o luto?

O que o RH das empresas pode fazer para ajudar os colaboradores afetados pela dor de perder alguém que ama? Neste artigo, responderemos esses questionamentos. Acompanhe os próximos tópicos!

Como lidar com o luto?

O período do luto não é linear e muito menos padronizado. Na verdade, após a perda de alguém amado, as pessoas têm reações diferentes e em níveis diferentes. Esse cenário emocional peculiar e complexo faz com que seja um desafio oferecer a ajuda certa.

Essa dificuldade aumenta porque o indivíduo pode expressar um conjunto de sentimentos de uma só vez, como: culpa, angústia, irritabilidade, medo e desespero. No geral, essas sensações fogem à racionalidade.

De acordo com o livro “Sobre a Morte e o Morrer”, escrito por Elizabeth Kübler-Ross, o luto abala as estruturas emocionais até mesmo de pessoas fortes e maduras. Segundo a autora, a chave para lidar ou ajudar outros a lidarem com esse período, está no conhecimento dos cinco estágios do luto:

  • Negação – ao ouvir a notícia sobre o falecimento da pessoa amada, o familiar não acredita. Essa é uma reação emocional que visa proteger o indivíduo de uma verdade devastadora;
  • Raiva – os fortes sentimentos negativos são expressos por meio de atitudes ríspidas, autodestrutivas e desagradáveis;
  • Barganha ou negociação – o enlutado tenta minimizar ou racionalizar a dor por meio de pensamentos, como: “se eu fizer isso, vou conseguir superar”, “se eu tivesse feito isso, já estaria melhor” e “eu posso mudar esses sentimentos”;
  • Depressão – essa é a fase mais intensa. A pessoa é tomada por um grande sofrimento interno que pode durar semanas ou meses;
  • Aceitação – a compreensão de que o ente querido não está mais presente se concretiza na mente do indivíduo. Sente-se então uma paz interior, apesar da saudade permanecer.

O papel do RH no acolhimento de colaboradores em luto

A sua dor no meu coração – essa é a definição de empatia. Embora não seja possível sentir o mesmo nível de sofrimento do outro, podemos “pegar” um pouco dele para nós. Algo que pode tornar a experiência do luto ainda mais dolorosa é não ser acolhido, consolado ou ouvido por outras pessoas.

Por isso, o RH precisa adotar ações que visam o acolhimento psicológico e emocional dos colaboradores enlutados. Nesse conjunto de práticas, os recursos humanos podem incluir benefícios corporativos e treinamento sobre como lidar com pessoas que perdem alguém – treinamento para dar consolo? Talvez isso pareça estranho para alguns.

Porém, muitos líderes não sabem como ajudar quem está passando por um período de luto, mas precisam aprender sobre liderança humanizada. Não importa qual seja a estratégia adotada pelo RH, o ideal é que todos os colaboradores entendam o valor de oferecer suporte emocional a outros.

5 Formas de auxiliar colaboradores em luto

Na prática, o que o RH pode fazer para ajudar os profissionais em luto? Que ações são essenciais? A seguir, apontamos algumas delas.

1.Desmistificando a morte

No tópico anterior, falamos sobre a necessidade de treinamento para ensinar os colaboradores a lidar com colegas enlutados. Como confortar? O que não dizer? Qual é a melhor maneira de oferecer apoio emocional? Essas respostas podem ser dadas no treinamento não só por meio de palestras, mas também encenações.

Nelas, profissionais de saúde emocional podem mostrar como se aproximar, conversar, ouvir e se fazer presente em todas as etapas do luto. Sem dúvidas, o profissional enlutado se sentirá mais seguro e confortado.

2.Rede de apoio

Uma rede de apoio significa um grupo de pessoas que estão dispostas a se ajudar. Nessa fase de pandemia, é possível que vários colaboradores tenham perdido alguém querido. O RH pode reunir esses profissionais em conversas programadas para que expressem seus sentimentos, ouçam experiências e se confortem.

3.Antecipação das férias

Algumas pessoas preferem continuar trabalhando durante o período de luto. Já outras não conseguem permanecer na empresa. Para essas, o RH pode antecipar férias, além de conceder a licença óbito. Dessa forma, o enlutado ficará mais tempo com a família e amigos, recuperando forças e motivação para voltar a rotina profissional.

4.Promover a valorização da vida além do trabalho

Segundo a pesquisa “Melhores práticas para lidar com o luto no ambiente profissional”, produzido pela Best Homenagens, os profissionais enlutados preferem receber da empresa ações que valorizem a vida em vez de apenas benefícios ou direitos corporativos.

Uma dessas ações são as homenagens prestadas ao ente querido falecido do colaborador. Dessa forma, o profissional se sente amparado mesmo que esteja longe das dependências físicas da organização, trabalhando em home office ou outra estação remota de trabalho.

5.Apoio de psicólogos

O apoio psicológico também foi citado na pesquisa feita pela Best Homenagens, como uma prática essencial para ajudar os enlutados. Para isso, os psicólogos e outros profissionais da saúde mental precisam ficar disponíveis online ou presencialmente, para os colaboradores que necessitam conversar sobre o luto.

Se a demanda dos psicólogos internos for muito alta, o RH pode oferecer pacotes de benefícios com sessões de terapia com profissionais externos.

Ofereça apoio à equipe em caso de perda de colaboradores

E quando um colaborador perde a vida? Além das questões legais envolvidas, o RH também precisa demonstrar apoio a:

  • Família do profissional – garantindo que todos os direitos trabalhistas sejam pagos, prestando condolências e oferecendo a ajuda necessária;
  • Colegas de equipe – amparar emocionalmente todos os profissionais que trabalhavam com o colaborador falecido. É importante lembrar que eles devem ser cuidados de forma individual, já que as reações podem ser diferentes.

Outra atitude importante é determinar um período de luto para toda a empresa. Sendo assim, a família perceberá que a organização não via o ente querido como uma ferramenta de trabalho, mas como alguém importante e especial.

Sem dúvidas, lidar com o luto na empresa não é fácil. Afinal, o ambiente empresarial é tido como um espaço onde a razão está acima do emocional. A morte abala todo esse cenário, exibindo as fragilidades que muitos profissionais insistem em esconder.

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Marcelo Furtado

Marcelo Furtado é administrador de empresas com pós-graduação em engenharia financeira pela Poli-USP. Iniciou sua carreira na Pepsico e posteriormente trabalhou 8 anos com gestão de ativos em hedge funds. É cofundador da Convenia, primeiro software na nuvem de gestão de departamento pessoal voltado para pequenas e médias empresas no Brasil. Marcelo também atua como professor de Marketing Digital na ESPM-SP e mentor na ACE e Google Campus.

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