Janeiro Branco: Afinal, qual é o motivo?

Preservar a saúde mental no trabalho é um tema que precisa ser compreendido de maneira profunda por gestores e colaboradores. Passamos muito tempo envolvidos no trabalho e, os conflitos e desgastes gerados nesse ambiente, quando não observados adequadamente, acabam afetando nosso aspecto psicológico. Justamente para cuidar dessa questão é que foi criada a campanha Janeiro Branco.

Basicamente, o Janeiro Branco é uma forma de dar atenção à saúde psicológica dos colaboradores, gestores e lideranças dentro da organização. Após a pandemia, esses problemas ficaram ainda mais evidentes, sendo necessário lidar com as dificuldades psicológicas dos colaboradores na prática. 

Neste artigo, você vai entender o que é Janeiro Branco, como surgiu e a relevância desse assunto nas empresas e na sociedade. Boa leitura! 

Como surgiu o Janeiro Branco?

Essa iniciativa foi criada pelo psicólogo mineiro Leandro Abrahão, em conjunto com um grupo de psicólogos de Uberlândia (MG), em 2014. Nesse sentido, o Janeiro Branco tem como principais objetivos

  • Chamar a atenção para o tema de saúde mental individual e coletiva dos indivíduos;
  • Desenvolver a empatia pelas pessoas;
  • Combater o preconceito a respeito da procura por ajuda psicológica;
  • Criar mais qualidade de vida nas empresas e na sociedade;
  • Fazer as pessoas refletirem sobre o seu estado de sua saúde mental atual; 
  • Estimular a comunicação sobre esse assunto;
  • Motivar os profissionais da área de saúde psicológica a falarem abertamente sobre o tema e alcançarem assim quem precisa de ajuda;
  • Enfatizar como a psicologia organizacional impacta o dia a dia nas empresas.

Mas, por que a campanha é celebrada no mês de janeiro? Justamente porque é no começo do ano que as pessoas estão mais engajadas em mudar comportamentos, traçar metas e refletir sobre o que passaram na vida.

Portanto, a intenção é cuidar da parte psicológica em janeiro para estar bem todos os outros meses do ano. 

Qual a importância dessa data?

Assim como o Outubro Rosa e o Novembro Azul estimulam os cuidados com a saúde do homem e da mulher, o Janeiro Branco chama a atenção para a saúde mental. Mas, por quê ainda existe tanto preconceito em reconhecer e procurar ajuda psicológica?

Por muito tempo, as dores emocionais eram vistas pela sociedade como algo irrelevante. De certa maneira, a crença de que não saber lidar com emoções conflituosas pode ser “frescura” ou sinal de fraqueza, ainda existe no imaginário de muita gente. 

Porém, nos últimos tempos, a discussão sobre a temática tem ganhado muita relevância, especialmente com o auxílio da internet. Assim, grande parte das pessoas passaram a de fato procurar ajuda e esse preconceito está diminuindo.

Dessa forma, as pessoas passaram a entender que as emoções positivas e negativas caminham conosco no dia a dia. Portanto, identificar a emoção e o pensamento que levam uma pessoa a se sentir ansiosa, depressiva, ou estressada no trabalho, é um passo importante em direção à cura.

A rotina de trabalho exaustiva e a falta de orientação e preparo dos gestores, acabam reforçando essas questões psicológicas dentro das empresas.

Portanto, ter gestores preparados para compartilharem conhecimento sobre o tema e serem empáticos sobre a situação mental dos colaboradores é um passo importante em direção ao sucesso.

Como a pandemia afetou drasticamente a saúde mental?

Desde 2020, quando o coronavírus impactou a vida dos brasileiros, várias consequências surgiram na parte física, psicológica e econômica das pessoas. A necessidade de se isolar e proteger o tempo inteiro gerou uma carga emocional negativa nas pessoas.

Com a economia instável e o sistema de saúde entrando em colapso, os problemas psicológicos ficaram em evidência. As incertezas com relação ao futuro, o medo de se contaminar e infectar alguém da família tornaram-se problemas psicológicos recorrentes. 

Alguns dos pensamentos e sentimentos que rondam a cabeça das pessoas nesses tempos difíceis são:

  • Medo de se infectar com o vírus e não conseguir se curar rapidamente;
  • Perder um ente querido;
  • Ser mandado embora da empresa por motivos de corte de gastos;
  • Não saber quando vai passar ou como será o mundo pós-pandemia;
  • Ansiedade excessiva ao sair na rua e encarar a realidade dura da sociedade;
  • Os desafios de trabalhar em home office ou modelo híbrido;
  • Expectativas incertas sobre as vacinas que combatem à doença. 

Em uma pesquisa divulgada pelo Laboratório Pfizer e da Agência Brasil, alguns dados importantes acerca da situação mental das pessoas na pandemia foram expostos:

  • 39% dos cidadãos com idade entre 18 e 24 anos disseram estar impactados diretamente pela situação;
  • 11% se sentiram muito afetados pela pandemia;
  • 5% afirmaram que se sentiram muito inseguros em sair de casa;
  • 25% disseram que se sentem péssimos com a situação e não sabem lidar com o problema.

A pesquisa foi feita pela IPEC — Inteligência em Pesquisa e Consultoria em São Paulo Capital, Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ), totalizando 2 mil pessoas ouvidas.

Saúde mental: sintomas de que algo não está bem

Como estamos falando sobre a pandemia e a realidade das empresas, é necessário citar alguns sintomas que acusam o sofrimento mental de um colaborador.

O dia a dia das empresas pode ser cansativo, cheio de conflitos e questões para se resolver, onde as pessoas passam de seis a oito horas trabalhando juntas. Assim, a falta de preparo para lidar com o estresse no trabalho e os problemas psicológicos acabam ficando evidentes.

Nesse momento, o gestor ou líder da equipe de RH deve observar o comportamento dos colaboradores e identificar os problemas, tais como:

  • Tristeza profunda;
  • Sofrer antecipadamente em alguma situação, seja para encarar o trabalho, conviver com as pessoas, etc.;
  • Dificuldade em se concentrar no trabalho;
  • Irritabilidade e nervosismo;
  • Angústia; 
  • Falta de ar, batimentos cardíacos acelerados;
  • Baixa autoestima e falta de perspectiva de vida; 
  • Sentimento de culpa; 
  • Falta de esperança e motivação;
  • Sono em excesso ou insônia;
  • Dores no corpo sem motivo aparente;
  • Estresse excessivo devido à carga de trabalho. 

A seguir, vamos discutir sobre como o assunto pode ser tratado nas organizações, não só durante o Janeiro Branco, mas também durante todo o ano. 

Por que empresas devem fazer campanhas Pró Saúde mental?

Porque os colaboradores precisam enxergar a empresa como uma parceira da sua saúde mental. As organizações precisam agir como uma base forte com a qual os trabalhadores podem contar sem se sentirem desprezados ou isolados caso tenham algum desconforto psicológico. 

Não basta apenas falar e promover o tema na empresa, é preciso também instituir políticas e práticas que reforcem a importância do assunto. A longo prazo, os resultados positivos começam a aparecer. Algumas mudanças podem acontecer, como:

  • Colaboradores motivados e conscientes do que estão fazendo quando é aberto um espaço para a comunicação sobre o assunto;
  • Aumento de produtividade, já que eles podem pedir ajuda sempre que precisarem;
  • Diminuição dos índices de turnover, absenteísmo e de doenças do trabalho — síndrome de burnout, depressão e ansiedade.

De acordo com uma outra pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz e divulgada pela Agência Brasil, a pandemia do coronavírus contribuiu para o aumento dos casos de ansiedade e depressão. Os dados mais relevantes do estudo mostraram o impacto direto nas empresas:

  • 47,3% dos colaboradores manifestaram um quadro de ansiedade ou depressão;
  • 27,4% dos entrevistados relataram que sofre de depressão e ansiedade simultaneamente;
  • 42,9% passaram a ter insônia e outros problemas relacionados ao sono;
  • 30,9% disseram que já sofriam de algum problema psicológico e a pandemia reforçou o quadro.

A pesquisa mostrou ainda que cerca de 20 mil pessoas foram afastadas do trabalho por conta de alguma doença psicológica um ano antes da pandemia começar (2019). 

Ou seja: as questões de saúde mental já eram uma realidade preocupante e acentuaram-se ainda mais com a pandemia. Diante desses fatos, podemos ter uma ideia de como o bem-estar psicológico precisa ser levado a sério e tratado de maneira adequada no ambiente de trabalho. 

Faça campanhas na sua empresa!

Agora que sabemos da importância da campanha do Janeiro Branco nas empresas, é hora de falarmos sobre as medidas para que elas funcionem na prática. Os colaboradores precisam de ajuda psicológica, assim como os gestores de RH — a saúde mental é para todos!

Tenha um programa de Saúde Mental

Após analisar a necessidade e a realidade da empresa com relação ao tema saúde mental, é hora de compilar tudo isso em um programa. A ideia é criar uma rede de apoio psicológico para enfrentar as situações de estresse e pressão no trabalho.

Apoie os colaboradores

A realização de eventos abertos para a participação tanto dos colaboradores como de seus familiares, fazem toda a diferença na interação e conexão entre as pessoas. 

Pode-se aproveitar o dia dos pais, das mães, das crianças e do próprio Janeiro Branco para melhorar a comunicação, empatia e o bem-estar no trabalho. Isso abre portas para que o colaborador peça ajuda quando não se sentir bem mentalmente.

Imagine um ambiente onde todos têm a liberdade de procurar ajuda, chamar um profissional específico para conversar e assim manter a saúde mental em dia? As boas práticas que citamos aqui podem ser adaptadas à realidade do seu RH. 

Parceria com Psicólogo

Em grandes organizações, a presença de psicólogos já é algo comum. Mas, em empresas menores essa realidade é diferente. Fazer parcerias com psicólogos ou mesmo oferecer sessões de psicoterapias com desconto aos colaboradores, são ótimas iniciativas para promover a saúde mental.  

Incentive a interação com equipes

Os gestores devem primeiramente ouvir os seus colaboradores e saber qual é o tipo de interação que eles gostariam de ter na empresa. Para muitos, um happy hour na sexta-feira depois do trabalho é uma boa ideia. 

Já outros preferem um café da tarde elaborado no meio da semana, ter espaço para relaxar e sair um pouco da rotina. Nesse sentido, quem trabalha no setor de vendas tem a oportunidade de conversar espontaneamente com alguém do atendimento ou do próprio RH.

Decoração temática na empresa

O ambiente contribui para o aumento ou diminuição da produtividade. No caso da campanha Janeiro Branco, é possível criar uma decoração temática para chamar a atenção positiva da equipe. Aqui vão algumas sugestões:

  • Adicionar balões brancos nas mesas e paredes da empresa;
  • Colocar as fotos dos colaboradores em cada balão;
  • Montar cartazes com frases motivantes, que remetam aos cuidados com a saúde mental;
  • Se for possível, criar camisetas ou uniformes brancos para os colaboradores;
  • Criar um canal de comunicação seguro para que o trabalhador converse com o gestor de forma individual para desabafar suas angústias — isso serve para o ano todo.

O mesmo vale para o Setembro Amarelo, Outubro Rosa ou o Novembro Azul, onde a empresa pode virar um ambiente temático.

Mês da Saúde Mental

Durante todo o mês de janeiro é possível reforçar as práticas que estimulam a saúde mental. Veja mais algumas ideias para tornar isso uma realidade em seu RH:

  • Incentivar a prática de exercícios físicos regulares;
  • Trazer um profissional de Yoga para uma sessão em grupo;
  • Promover o feedback positivo entre os membros da equipe;
  • Criar espaços para meditação e ginástica laboral;
  • Começar ou reforçar a cultura de 1:1 entre gestor e colaborador ou profissional de RH.

Os 1:1 (ou one a ones) podem ser realizados entre o líder e o colaborador  com a finalidade de saber como o trabalhador se sente no seu dia a dia e o que está o afligindo. Isso melhora a comunicação e gera uma relação de confiança, aumentando o bem-estar e a produtividade.

Como preservar a saúde mental no dia a dia

Diante de um futuro ainda incerto sobre o término definitivo da pandemia do coronavírus, o jeito é se preparar para manter a saúde mental individual e na vida em sociedade. Vamos às dicas:

  • Tenha um diário de anotações sobre os seus pensamentos negativos e positivos que possam aparecer no dia a dia;
  • Escolha materiais ricos e saudáveis, e evitar contato excessivo com notícias negativas;
  • Trabalhe em casa ou de modo presencial não precisa ser algo isolado. Cultive amizades no trabalho que elevem a motivação;
  • Escolha atividades que tragam prazer, tais como ler um livro, assistir um filme, escutar músicas ou cozinhar;
  • Estabeleça uma rotina de cuidados diários com o corpo e a mente;
  • Durma bem, cerca de oito horas por noite;
  • Dê atenção às pessoas que moram com você;
  • Cuide da saúde com exercícios físicos. Crie uma rotina para movimentar o corpo semanalmente. 

Os problemas psicológicos são reais e cada vez mais presentes nas organizações. Porém, é possível entender como a mente funciona e assim formar profissionais saudáveis dentro das empresas. 

Se você trabalha no RH e precisa lidar diariamente com essas questões, saiba que você não está só! Pensando nisso, preparamos um e-book exclusivo sobre como cuidar da saúde mental e emocional dos colaboradores. Basta clicar aqui e baixar o seu material! 

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Marcelo Furtado

Marcelo Furtado é administrador de empresas com pós-graduação em engenharia financeira pela Poli-USP. Iniciou sua carreira na Pepsico e posteriormente trabalhou 8 anos com gestão de ativos em hedge funds. É cofundador da Convenia, primeiro software na nuvem de gestão de departamento pessoal voltado para pequenas e médias empresas no Brasil. Marcelo também atua como professor de Marketing Digital na ESPM-SP e mentor na ACE e Google Campus.

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