Inclusão de transexuais no mercado de trabalho: dicas para o RH

Inclusão de transexuais no mercado de trabalho: dicas para o RH

A inclusão de transexuais no mercado de trabalho tem sido um assunto discutido com frequência no ambiente empresarial.

Embora a postura de muitas organizações esteja mudando em relação a diversidade de gênero do time interno, ainda existem obstáculos para que, de fato, exista uma política sustentável de inclusão.

Neste artigo, falaremos sobre conceito de gênero, desafios, erros cometidos em processos seletivos e como a diversidade pode contribuir para o sucesso da empresa. Acompanhe os próximos tópicos!

O que é identidade de gênero?

Identidade de gênero é como um indivíduo olha para si mesmo e se apresenta para a sociedade. Sendo assim, não é uma ideologia e nem mesmo um tipo de orientação sexual. Nesse contexto, existem:

  • Cisgênero: pessoas que permanecem com o seu sexo biológico durante toda a vida;
  • Transgêneros: pessoas que a identidade de gênero diverge do sexo biológico;
  • Não-binários: pessoas que não se identificam com um determinado sexo biológico, mas com ambos.

Lembrando que é sempre válido perguntar para a pessoa qual é o termo que ela se sente mais confortável em ser tratada. 

A identidade de gênero não deve ser confundida com expressão de gênero. Diferente da primeira, a segunda se refere a alguém que modifica a aparência, mas continua se identificando com o sexo biológico original.

Qual é a importância da inclusão de transexuais no mercado de trabalho?

O aspecto social é um dos principais motivos que mostram a importância da inclusão de transexuais no mercado de trabalho. No Brasil, segundo números apresentados no portal UOL Notícias, a cada 16 horas é registrada uma morte causada por transfobia – discriminação de gênero.  

Muitos desses óbitos acontecem por que os transexuais se submetem a prostituição por falta de oportunidades de trabalho. Nesse ambiente, o contato com pessoas criminosas acontece com muita frequência, tornando os transexuais vulneráveis a todo o tipo de violência física.

E mesmo que essas pessoas tenham  qualificações e experiências profissionais, bem como educação superior, isso não garante a aprovação delas em processos seletivos, pois esbarram no crivo do preconceito e da falta de políticas de inclusão das empresas.

Por que investir em uma empresa mais inclusiva?

A diversidade de gênero e uma política voltada para a inclusão oferecem muitos benefícios para os negócios, como:

  • Diminuição do turnover: em vista do atual cenário empresarial hostil, a empresa que tem uma cultura inclusiva e psicologicamente segura, consegue reter seus talentos profissionais. Uma vez que as pessoas se sentem ouvidas e respeitadas;
  • Engajamento: a ética e o respeito da organização pela diversidade elevam o engajamento do time. A consequência seguinte é o aumento da motivação e da produtividade nos serviços;
  • Inovação: equipes plurais têm a capacidade de pensar em soluções inovadoras. Afinal, vários perfis da sociedade estão representados dentro da empresa. Sendo assim, é mais fácil desenvolver produtos e serviços que atendam às necessidades do público-alvo.

Quais são os desafios enfrentados por pessoas trans no mercado de trabalho?

Um dos maiores desafios das pessoas transexuais é ingressar no mercado de trabalho. Normalmente, as “portas estão fechadas” para esse grupo de pessoas por causa do preconceito que reflete também nos recrutadores das empresas.

Devido a essa atitude, muitas pessoas trans ficaram apartadas do mundo corporativo nas últimas décadas, dificultando ainda mais o aumento da inclusão. Por exemplo, existem profissionais de RH que acreditam que os transexuais são carentes de soft e hard skills. Outros têm ressalvas quanto a contratá-los por causa de clientes e colaboradores.

Por essas e outras razões, existe um alto índice de desemprego e informalidade. Segundo uma pesquisa apresentada em um artigo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em um grupo de 528 transexuais, apenas 16,7% estavam no mercado formal.

Quais são os principais erros cometidos no processo de R&S?

Para que o processo seletivo seja mais inclusivo e promova o respeito pela diversidade de gênero, é preciso que os profissionais de RH evitem alguns erros. Entre eles, podemos citar:

  • Falta de respeito pelo nome social e pronome: é importante chamar a pessoa  transexual pelo nome que escolheu. Além disso, o pronome “ele e ela” deve ser empregado de acordo com a identidade de gênero;
  • Perguntar o sexo biológico: evite o questionamento sobre o sexo biológico. Na verdade, é algo desnecessário e constrangedor, sem necessidade alguma;
  • Indagar sobre a cirurgia: a pessoa  transexual não deve ser pressionada a revelar se fez ou não a cirurgia de transição de gênero.

Como o RH pode impulsionar transexuais no mercado de trabalho?

É importante que os RHs desenvolvam e estimulem ações que facilitem a entrada de pessoas transexuais no mercado. Dessa forma, contribuirá para que elas tenham boas oportunidades profissionais e de crescimento de carreira. 

Mas quais estratégias podem ser adotadas? São elas:

  • Apoio da liderança na promoção dos direitos das pessoas transexuais na empresa;
  • Criação de um ambiente de igualdade de tratamento e oportunidades;
  • Educação dos colaboradores em relação aos direitos de pessoas trans;
  • Divulgação de seus direitos  em campanhas de marketing da empresa;
  • Programas de treinamento e desenvolvimento voltado para as pessoas transexuais;
  • Benefícios flexíveis e passíveis de adaptação;
  • Apoio psicológico;
  • Criação de ações internas com temas voltados para a inclusão e a diversidade.

Outra atitude importante é deixar claro para os colaboradores, e também nas campanhas publicitárias da empresa, que a transfobia é crime. Um artigo do portal de notícias G1, mostrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu a transfobia entre os crimes considerados como racismo.

Sendo assim, alguém que discrimina a identidade de gênero de alguém pode ser penalizado com até três anos de prisão e o pagamento de multa. Já os que divulgam atos discriminatórios em meios de comunicação podem ser presos por até cinco anos, além do pagamento de multa.

Conclusão

Com certeza, a conscientização e a adoção de medidas firmes é o melhor caminho para que os RHs estimulem o ingresso de pessoas transexuais no mercado de trabalho. É preciso lembrar que quanto maior for a diversidade interna, mais chances as empresas têm de alcançar a excelência em seus produtos e serviços.

Entendeu como o RH pode promover a inclusão de transexuais no mercado de trabalho? Está pensando em remodelar a política e as normas internas da sua empresa a fim de estimular a diversidade?

Então, dê o primeiro passo e baixe o nosso e-book “Como criar um comitê de diversidade na sua empresa“!

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Marcelo Furtado

Marcelo Furtado é administrador de empresas com pós-graduação em engenharia financeira pela Poli-USP. Iniciou sua carreira na Pepsico e posteriormente trabalhou 8 anos com gestão de ativos em hedge funds. É cofundador da Convenia, primeiro software na nuvem de gestão de departamento pessoal voltado para pequenas e médias empresas no Brasil. Marcelo também atua como professor de Marketing Digital na ESPM-SP e mentor na ACE e Google Campus.

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