Diversidade nas empresas: como promover um ambiente mais inclusivo

Diversidade nas empresas: como promover um ambiente mais inclusivo

Diversidade nas empresas: como promover um ambiente mais inclusivo

Diversidade e inclusão nas empresas brasileiras

Implantar inclusão e diversidade nas empresas tornou-se algo indispensável. O mercado está passando por uma reciclagem e as novas gerações estão cada vez mais conscientes sobre a importância da pluralidade no ambiente corporativo.

Essas gerações têm mudado a dinâmica do mercado de trabalho, procurando empresas que têm uma cultura organizacional e propósitos que se encaixam a elas e não o contrário. E quem quer contratar e reter talentos precisa, mais do que nunca, estar atento ao que move essa geração plural. 

Muitas pessoas caem no erro de dizer que diversidade é ter pessoas LGBTQIA+ ou de diferentes etnias no time. Isso não é diversidade. Pessoas formam grupos diversos. Essas pessoas podem pertencer ao grupo LGBTQIA+, ser pertencentes a religiões distintas, possuir outras origens, etnias, referências, falar outros idiomas, entre outras inúmeras possibilidades.

A diversidade também não é solidariedade ou algo politicamente correto. Trata-se da união de culturas e repertórios diferentes com o objetivo de criar ambientes dinâmicos e inovadores.

Mas antes de entender como inserir diversidade no seu negócio, é necessário compreender qual o conceito histórico por trás disso, os princípios básicos para se desenvolver uma cultura de diversidade e, principalmente, qual o papel do RH nessa mudança de pensamento.

Não vale a pena criar um ambiente diverso porque está na moda. Crie porque é assim que você vai contribuir para uma cultura cada vez mais justa e igualitária. 

Cenário brasileiro em relação à diversidade e inclusão

O que essa geração está colocando em evidência não é um problema novo. É bem antigo e muito mais grave do que parece. Um dos grandes problemas que enfrentamos é a diferença de salário entre homens e mulheres, bem como a taxa de desemprego de negros e brancos no mercado de trabalho.

Com respeito a desigualdade entre os gêneros, o “Relatório de Desenvolvimento Humano 2019”, produzido pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNDU), mostra que as mulheres recebem o equivalente a 58% da renda dos homens.

Esse percentual deixa o nosso país na 1070 posição no ranking internacional de desigualdade de renda entre homens e mulheres. Ainda falando sobre gênero, segundo estudo feito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), seriam necessários 95 anos para que o Brasil alcançasse a igualdade entre homens e mulheres.

Isso deixa claro que, mesmo anos após a publicação desse estudo, temos ainda um longo caminho pela frente. No caso da desigualdade entre as raças, a questão da taxa de desemprego é algo preocupante. Em razão disso, é muito importante falar sobre diversidade racial.

Antes da pandemia do Covid-19, o percentual de negros e pardos desempregados já era maior do que o de brancos. Desde que iniciou a pandemia, a situação ficou ainda pior. De acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 13,3% no segundo trimestre de 2020. Dentro desse percentual o desemprego entre negros se mostrou 71% maior do que entre brancos

Diferença entre diversidade e inclusão

Quando dizemos que a empresa promove diversidade, nos referimos ao equilíbrio na oferta de oportunidades a profissionais de diversas raças, gêneros, classes sociais, entre outras. Sendo assim, a organização ganha um time plural e com representatividade demográfica.

Por outro lado, a inclusão implica em uma mudança na cultura organizacional da empresa. Com diversidade, você trouxe pessoas distintas para o seu time. Já com a inclusão, você precisa que essas pessoas se sintam pertencentes. Para tanto, é importante promover um ambiente igualitário e derrubar as barreiras do preconceito no ambiente interno.

É fácil confundir o significado dos termos “diversidade e inclusão” ou pensar que são a mesma coisa. Na realidade, eles são conceitos distintos, mas que coexistem para um mesmo propósito.

Benefícios de promover a diversidade nas empresas

Toda área dentro de uma empresa tem um combustível responsável por movê-la. Algumas são dinheiro, outras são especialistas em determinado assunto, outras são os clientes. Mas nenhuma empresa sobrevive sem um elemento:  inovação.

Desde o produto, tecnologias, até processos mais simples dentro da organização, a inovação é necessária para redução de custos e aumento de lucro. Se o empreendimento parar de inovar na dinâmica de mercado que estamos inseridos, terá um grande problema.

E o combustível da inovação é justamente a diversidade. Ouvir pessoas que pensam diferente, que têm repertórios diversos, de outras classes, etnias, gêneros, gostos é o que vai fazer sua empresa decolar.

Ao compreender isso e conseguir implementar, você deixará de ter uma área responsável por inovação e terá uma empresa inteira com ideias incríveis.

Princípios básicos da promoção da diversidade e inclusão:

Ter clareza sobre a diferença entre igualdade e equidade

No sentido mais direto, a igualdade considera todos os indivíduos como serem idênticos, em todos os seus aspectos e, perante a lei, todos nós somos iguais, logo temos os mesmos direitos e mesmos deveres.

Já a equidade busca olhar para os indivíduos de forma imparcial e única para evitar a promoção da desigualdade e da injustiça, o que acontece normalmente quando olhamos apenas pela linha da igualdade.

Nós podemos ser iguais em um grupo, mas ainda assim somos pessoas diferentes, com necessidades, formas e referências de vida diferentes. Então busque sempre tratar cada pessoa da forma como ela deseja ser tratada, considerando suas diferenças e necessidades.

Por exemplo, é proibido animais no metrô. Por essa regra, pessoas com deficiência visual não poderiam entrar no metrô com seu cão guia, pois somos todos iguais com direitos iguais. Mas, na prática, a equidade precisa ser aplicada.

Diversificar e saber incluir

Diversidade e inclusão são pilares que precisam andar juntos. Não há como ser inclusivo e não implantar a diversidade e, na mesma via, não adianta implantar a diversidade e não saber incluir pessoas diversas ou aceitar ideias opostas às suas.

É preciso olhar para esse grupo diverso e entender algumas coisas, como por exemplo, se eles se sentem incluídos na cultura, respeitados, confiantes e, principalmente, se possuem segurança psicológica para interagir, sugerir ideias e mudanças.

Existem vários tipos de inclusão, não fixe apenas no espaço físico, fique atento se você está realmente incluindo.

Criação de estereótipos e quebra de preconceitos

Estereótipos e preconceitos nem sempre têm relação direta e, muitas vezes, criar estereótipos não é uma coisa ruim. Mas a linha é tênue e devemos tomar muito cuidado. O estereótipo é uma característica que atribuímos a um determinado grupo de pessoas e levamos aquilo como verdade, já o preconceito é a atitude negativa que tomamos ao julgar indivíduos sem um conhecimento prévio.

Dentro de uma empresa, a criação de estereótipos e preconceitos começa pelo RH desde o processo de recrutamento e seleção. É importante que o recrutador não crie vieses que possam influenciar sua decisão sem conhecer o candidato

Por exemplo, muitos processos questionam onde o candidato mora, com quem ele é casado, se é casado, qual sua etnia, qual sua idade e por aí vai. Questione-se: Qual a relação que essas informações têm com a capacidade técnica e comportamental do seu candidato? Comece pelo RH a mudar a forma como se contrata para ter times diversos.

Como implementar projetos de diversidade nas empresas?

Segundo o estudoGetting to Equal 2019: Creating a Culture That Drives Innovation”, produzido pela Accenture, as organizações que investem em diversidade e inclusão são mais inovadoras. Porém, nem sempre é fácil implantar essas políticas no ambiente interno – mas não é impossível. A seguir, damos algumas dicas para ter sucesso nesse projeto.

Avalie o cenário de colaboradores

O primeiro passo é analisar como está a diversidade e a inclusão dentro da empresa. Após isso, é importante que os gestores entendam se a organização está preparada para absorver essas políticas. Com base nessas duas informações, os líderes podem:

  • Elaborar um programa interno educativo sobre diversidade e inclusão;
  • Promover adaptações na empresa para receber, por exemplo, profissionais com deficiências físicas.

Monte uma trilha de conteúdos sobre o assunto

Uma forma da empresa levantar a bandeira da diversidade e da inclusão é mostrando para os colaboradores, e para o mercado empresarial, que tem uma cultura focada nessas políticas.

Entre as melhores estratégias para atingir esse objetivo está a produção de cartilhas, vídeos educativos, postagens nas redes sociais, eventos sobre o tema, palestras e webinars. Aos poucos, profissionais de vários perfis se sentirão atraídos pela marca da empresa.

Adapte seu processo de R&S

A área de recrutamento e seleção pode criar vagas voltadas especialmente para negros, pessoas com deficiência, mulheres e transexuais.

Para isso, o RH pode contar com recrutadores que representem diversos perfis profissionais. Dessa forma, os candidatos se sentirão representados no processo seletivo e os recrutadores terão mais empatia e democracia na escolha dos que serão contratados.

Crie comitês de diversidade

A criação de um comitê de diversidade visa expandir e solidificar a diversidade e a inclusão na empresa. Quando esse comitê é formado por profissionais de gêneros e raças, a troca de ideias e o direcionamento das estratégias fica mais efetivo e eficiente.

Empresas e projetos de diversidade e inclusão para te apoiar

Como falado, as novas gerações estão mudando o mercado e com elas estão surgindo uma série de empresas focadas em promover a equidade no mercado de trabalho, criando ambientes diversos.

Muitas delas contam, principalmente, com profissionais de RH, pois é a partir dessa área que as empresas começam a mudar sua forma de ser. Listamos algumas delas:

  • Somos B: A Somos B capacita jovens de periferia em tecnologia, design e inovação, preparando os jovens nem-nems (18 a 28 anos) para o mercado que mais cresce na América Latina.
  • Talento Incluir: Por meio de consultorias, eles ajudam as empresas a incluírem pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
  • B2Mamy: Trata-se de uma aceleradora focada em capacitar e ajudar mães empreendedoras a colocar seu negócio na rua.
  • Contrate uma mãe: Banco de currículos dedicado à recolocação profissional de mães.

Essas são algumas das empresas que vem fazendo trabalho de inclusão, mas o mais importante é entender que para inovar você precisa de pessoas que discutam, que proponham ideias diferentes, que tenham repertórios de todos os tipos, e a diversidade é um caminho para chegar lá.

Gostou do nosso artigo? Entendeu como se promove a diversidade nas empresas? Quer se aprofundar mais nesse tema? Então, confira nosso e-book: Como criar um comitê de diversidade na sua empresa

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Karine Gaia

Gerente de marketing na Convenia. Graduada em Marketing, com MBA em Digital data marketing e mais de 7 anos experiência na área. Atua com gestão de pessoas, inbound marketing e estratégias de conteúdo focada nas áreas de recursos humanos e departamento pessoal.

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