Durante muito tempo, o processo seletivo foi visto apenas como o momento em que as empresas avaliam candidatos. Mas essa lógica mudou. Hoje, cada etapa do recrutamento também funciona como um termômetro da cultura, da organização e da transparência da empresa, fatores que influenciam diretamente a decisão do profissional de seguir ou não com uma oportunidade.

Para entender melhor como os candidatos percebem essa jornada, a Convenia, em parceria com o Opinion Box, realizou uma pesquisa nacional com mais de 1.200 profissionais brasileiros. O estudo revela como as pessoas buscam vagas, o que mais valorizam em uma proposta de emprego e quais experiências mais impactam sua percepção sobre as empresas. 

Neste artigo, você vai conhecer alguns dos principais insights desse levantamento, desde os canais mais usados para encontrar trabalho até os fatores que levam candidatos a desistirem de processos seletivos. Para ter acesso às informações completas, baixe a pesquisa: a jornada da pessoa candidata no R&S

Principais aprendizados 

  • O processo seletivo também é um momento em que o candidato avalia a empresa. 
  • Experiência, comunicação e tempo de resposta impactam diretamente a percepção sobre a marca empregadora. 
  • Muitos profissionais buscam novas oportunidades mesmo estando empregados, o que intensifica a busca por talentos. 
  • Falta de retorno (ghosting) e processos longos ainda são problemas frequentes na experiência das pessoas candidatas. 
  • Além do salário, fatores como flexibilidade, benefícios e reputação da empresa influenciam a decisão de aceitar uma vaga. 
  • Tecnologia e IA já fazem parte da jornada de recrutamento, tanto para empresas quanto para candidatos. 
  • Ainda existe espaço para evolução na percepção de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

Metodologia e ensinamentos da pesquisa 

Para a pessoa candidata, o processo seletivo também representa um momento fundamental de avaliação: cada interação com a empresa, desde a leitura da descrição da vaga até o recebimento do feedback final, contribui para formar uma percepção sobre a organização. Quando o processo é claro, ágil e respeitoso, ele fortalece a marca empregadora. Quando é confuso ou demorado, pode afastar talentos antes mesmo da contratação. 

Foi justamente para compreender essa jornada do ponto de vista dos profissionais que a Convenia realizou, em parceria com o Opinion Box, a pesquisa “A jornada da pessoa candidata no recrutamento e seleção”. 

O estudo ouviu 1.211 profissionais de diferentes áreas, níveis de senioridade e regiões do Brasil, trazendo uma visão abrangente sobre expectativas, experiências e desafios enfrentados nos processos seletivos. 

As entrevistas foram realizadas online entre novembro e dezembro de 2025, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais, garantindo consistência estatística aos resultados. A amostra contempla profissionais de diferentes perfis, desde estagiários até cargos de liderança, o que permite analisar a experiência de recrutamento sob múltiplas perspectivas do mercado de trabalho brasileiro. 

Ao longo do artigo, apresentaremos alguns dos principais insights identificados na pesquisa. O relatório completo aprofunda esses dados e traz análises adicionais que ajudam empresas a repensar seus processos seletivos a partir da perspec tiva de quem está do outro lado da jornada. 

O cenário atual do recrutamento no Brasil

A pesquisa mostra que quase 6 em cada 10 profissionais estão em busca de uma nova oportunidade, seja de forma ativa ou ocasional. Além disso, uma parcela relevante afirma não procurar emprego no momento, mas se considera aberta a propostas.

Esse comportamento revela um cenário em que as empresas disputam talentos que já estão trabalhando, e que, em decorrência disso, avaliam cuidadosamente cada nova possibilidade antes de tomar uma decisão. 

Outro dado que ajuda a explicar essa dinâmica é o nível de satisfação dos profissionais com seus empregos atuais. Quando perguntados sobre a probabilidade de recomendar sua empresa a um amigo, os entrevistados atribuíram às organizações um e-NPS médio de 6, o que indica um equilíbrio entre promotores, neutros e detratores. 

Na prática, isso significa que muitos profissionais não estão necessariamente insatisfeitos, mas também não estão totalmente engajados. Essa chamada “zona neutra da satisfação” é um terreno fértil para movimentações no mercado, especialmente quando surgem propostas com melhores condições de crescimento, flexibilidade ou remuneração.

Onde os candidatos procuram emprego hoje 

Além de entender se os profissionais estão abertos a novas oportunidades, também é importante observar como essa busca acontece na prática. A pesquisa mostra que o LinkedIn se consolidou como o principal canal para encontrar vagas, seguido pelos sites especializados em emprego. Esses ambientes funcionam hoje como os principais pontos de encontro entre empresas e talentos que estão explorando o mercado.

Outro destaque importante é o peso das indicações e do networking profissional, que continuam sendo uma das formas mais eficazes de chegar a uma contratação. No relatório completo, também analisamos em quais canais os candidatos acreditam ter mais chances reais de conseguir um emprego, um insight relevante para empresas que querem direcionar melhor suas estratégias de recrutamento.

Leia também: Guia do Recrutamento e Seleção (R&S): tudo que você precisa saber!

A experiência da pessoa candidata nos processos seletivos 

A experiência vivida durante um processo seletivo tem um impacto direto na forma como os profissionais percebem uma empresa. Cada etapa, desde a candidatura inicial até o retorno final, contribui para formar uma opinião sobre a organização, sua cultura e o respeito que ela demonstra pelos candidatos. 

Os dados da pesquisa indicam que, embora muitos processos seletivos estejam mais estruturados do que no passado, a experiência da pessoa candidata ainda apresenta pontos importantes de melhoria. Um dos principais desafios relatados pelos profissionais está relacionado à comunicação ao longo da jornada, especialmente no que diz respeito ao tempo de retorno e à clareza das informações sobre as etapas do processo.

Entre os profissionais que participaram de processos seletivos recentemente:

  • 77% afirmam já ter ficado sem resposta de uma empresa após entrevistas
  • 39% dizem que isso acontece na maioria das vezes
  • apenas 6% afirmam nunca ter passado por essa situação

Esse fenômeno, conhecido como ghosting no recrutamento, se tornou uma das maiores fontes de frustração para candidatos.

A duração dos processos seletivos também aparece como um fator relevante. Em muitos casos, o intervalo entre o envio do currículo e o primeiro retorno pode ultrapassar várias semanas, o que aumenta a ansiedade dos candidatos e abre espaço para que eles avancem em processos com outras empresas ao mesmo tempo.

Além disso, quando perguntados sobre os motivos que levam alguém a desistir de uma vaga, os entrevistados mencionam fatores como salários abaixo das expectativas, demora nas etapas e falta de organização no processo seletivo. Esses pontos mostram que muitas desistências poderiam ser evitadas com maior alinhamento de expectativas e uma comunicação mais transparente desde o início.

No relatório completo, aprofundamos esses dados e analisamos em detalhes quais etapas geram mais insatisfação, quais informações os candidatos esperam receber no início do processo e como eles avaliam o número de fases nas seleções atuais. Esses insights ajudam empresas a identificar oportunidades concretas de melhoria na experiência da pessoa candidata.

Principais insights sobre a experiência da pessoa candidata

  • A experiência da pessoa candidata influencia diretamente a percepção sobre a marca empregadora.
  • Falta de retorno após entrevistas ainda é um dos problemas mais citados por profissionais.
  • Tempo de resposta e comunicação ao longo do processo impactam a satisfação dos candidatos.
  • Muitos abandonos de processos seletivos estão ligados a desalinhamento de expectativas e demora nas etapas.
  • Pequenos ajustes na estrutura e na comunicação do recrutamento podem reduzir significativamente a perda de talentos ao longo da jornada.

O que os candidatos realmente valorizam ao escolher um emprego 

Na hora de avaliar uma proposta de trabalho, os profissionais consideram muito mais do que apenas o salário. Aspectos como crescimento profissional, benefícios, flexibilidade e reputação da empresa passaram a ter um peso cada vez maior na decisão de aceitar uma vaga.

Os dados da pesquisa mostram que a escolha por uma nova oportunidade é cada vez mais multifatorial. A remuneração ainda aparece como o principal critério para muitos candidatos: 62% afirmam que o salário é o fator que mais pesa na decisão entre duas ofertas de trabalho. No entanto, outros elementos relevantes também entram na equação, como oportunidades de desenvolvimento, pacote de benefícios e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

A flexibilidade de trabalho, por exemplo, se consolidou como um dos fatores mais relevantes na avaliação de uma vaga. Uma parcela significativa dos profissionais afirma que flexibilidade de horário pode ter peso igual ou até superior ao salário base, indicando que o modelo de trabalho e a qualidade de vida se tornaram elementos decisivos para muitos candidatos.

Os benefícios corporativos também ganharam protagonismo. Entre os mais valorizados estão planos de saúde completos, benefícios de alimentação e políticas de flexibilidade. Além disso, a pesquisa mostra que o cuidado com saúde mental passou a ser considerado essencial ou muito importante para a maioria dos profissionais, refletindo uma mudança importante nas expectativas em relação ao ambiente de trabalho.

A marca empregadora também exerce um papel importante na jornada da pessoa candidata. De acordo com a pesquisa, 35% dos profissionais afirmam que só se candidatam a empresas com boa reputação, enquanto a maioria considera esse fator importante, mesmo que não seja decisivo.

Principais insights sobre decisão de carreira

  • Salário continua sendo o principal fator de decisão para 62% dos profissionais.
  • Crescimento profissional e plano de carreira aparecem entre os fatores mais valorizados.
  • Flexibilidade de trabalho passou a competir diretamente com remuneração na decisão de aceitar uma vaga.
  • Benefícios ligados a bem-estar e saúde mental ganharam importância significativa.
  • A reputação da empresa influencia diretamente a decisão de candidatura para uma parcela relevante dos profissionais.

Tecnologia e IA no recrutamento 

A tecnologia vem transformando rapidamente a forma como as empresas conduzem seus processos seletivos. Ferramentas como inteligência artificial, sistemas de rastreamento de candidatos (ATS), entrevistas online e testes automatizados passaram a fazer parte da rotina de muitas organizações, trazendo mais eficiência e escala para o recrutamento.

Do lado dos candidatos, essa transformação também começa a influenciar a forma de buscar emprego. A pesquisa mostra que 33% dos profissionais já utilizam ferramentas de inteligência artificial durante a busca por oportunidades, principalmente para revisar currículos e preparar materiais de candidatura. Ao mesmo tempo, 53% ainda não utilizaram IA, mas pretendem adotar esse tipo de tecnologia no futuro.

Outro ponto importante identificado pelo estudo é a percepção sobre os sistemas ATS, utilizados por empresas para organizar e filtrar candidaturas. Para 81% dos entrevistados, é necessário se preparar para lidar com esse tipo de tecnologia nos processos seletivos, o que mostra como a digitalização do recrutamento já influencia diretamente a experiência dos candidatos. 

Apesar de algumas dúvidas e receios, a percepção geral sobre o uso de tecnologia no recrutamento tende a ser positiva. Uma parcela relevante dos profissionais acredita que ferramentas digitais podem tornar os processos mais rápidos, organizados e acessíveis. 

No relatório completo da pesquisa, aprofundamos essas percepções e analisamos como candidatos avaliam diferentes tecnologias que vêm ganhando espaço nos processos seletivos.

Principais insights sobre tecnologia no recrutamento 

  • A inteligência artificial começa a fazer parte da preparação dos candidatos para processos seletivos.
  • A digitalização do recrutamento exige que profissionais se adaptem a novas ferramentas e formatos de seleção.
  • Sistemas de rastreamento de candidatos (ATS) já são percebidos como parte importante da triagem de currículos.
  • Muitos profissionais ainda buscam entender como essas tecnologias influenciam as decisões de contratação.
  • Quando bem aplicadas, ferramentas tecnológicas podem tornar processos seletivos mais rápidos, organizados e acessíveis.

Diversidade e inclusão nos processos seletivos 

Diversidade, equidade e inclusão têm ocupado cada vez mais espaço nas discussões sobre gestão de pessoas. No entanto, quando olhamos para a experiência das pessoas candidatas nos processos seletivos, ainda existe uma diferença entre o discurso institucional das empresas e a percepção real dos profissionais.

Entre os profissionais entrevistados, apenas 26% afirmaram perceber iniciativas claras de diversidade e inclusão nos processos seletivos em que participaram. Em muitos casos, os candidatos relatam que o tema aparece nas comunicações das empresas, mas sem impacto prático ao longo da jornada de recrutamento.

A pesquisa também investigou a percepção sobre representatividade nas empresas, especialmente em cargos de liderança. Os resultados indicam que, embora haja avanços em algumas áreas, muitos profissionais ainda enxergam espaço para evolução quando o assunto é diversidade nas posições estratégicas das organizações.

No relatório completo da pesquisa, aprofundamos essas percepções e analisamos como diferentes perfis de profissionais avaliam iniciativas de diversidade, inclusão e representatividade dentro das empresas.

Principais insights sobre diversidade e inclusão

  • Muitos candidatos ainda não percebem iniciativas de diversidade de forma clara nos processos seletivos.
  • Existe uma diferença entre o discurso institucional sobre inclusão e a experiência prática dos candidatos.
  • A representatividade em cargos de liderança continua sendo um ponto de atenção no mercado.
  • Processos seletivos mais transparentes e estruturados podem fortalecer a percepção de inclusão.

Transforme dados em processos seletivos mais eficientes 

Os dados da pesquisa deixam claro que a jornada da pessoa candidata passou por uma transformação. Profissionais estão mais atentos ao mercado, mais exigentes em relação às oportunidades e cada vez mais sensíveis à forma como as empresas conduzem seus processos seletivos.

Experiência durante o recrutamento, clareza na comunicação, tempo de resposta, flexibilidade no trabalho e oportunidades de crescimento já fazem parte dos critérios de decisão dos candidatos. Empresas que conseguem alinhar esses fatores a processos mais organizados e transparentes tendem a se destacar na atração de talentos.

Para transformar esses aprendizados em prática, contar com as ferramentas certas também faz diferença. Com a plataforma de R&S da Convenia, é possível centralizar vagas, organizar etapas do processo seletivo, acompanhar candidatos em um pipeline visual, coletar feedbacks e integrar a contratação diretamente às rotinas de RH e Departamento Pessoal. Tudo em um único fluxo digital! Quer conhecer melhor? Faça um teste grátis ou fale com nossos especialistas!