Maio Amarelo: qual o papel do RH e DP na conscientização desse tema?

Marcelo Furtado
Employer Branding
  14 min. de leitura

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,5 mil pessoas morrem diariamente nas rodovias mundiais. Para reduzir essa triste estatística, a campanha do Maio Amarelo, mês da conscientização no trânsito, se faz cada vez mais necessária.  

A OMS lançou o Plano Global para a Década de Ação (2021-2030) de prevenção a acidentes. A meta é diminuir, pelo menos, 50% das mortes e lesões no trânsito até 2030. 

O Maio Amarelo compõe o calendário colorido que, ao longo do ano, alerta sobre vários assuntos importantes que precisam ser debatidos na sociedade. Além dele, podemos citam também os respectivos meses e temas: 

O grande apoio da iniciativa privada gera visibilidade e valor para esses eventos, auxiliando na promoção de melhorias sociais nas questões colocadas em pauta. É importante que o RH das empresas apoie e divulgue essas campanhas sociais.

Neste artigo, explicaremos mais sobre essa importante campanha. Mostraremos também como promovê-lo na empresa e os benefícios obtidos.

Maio amarelo: mês da conscientização no trânsito

A Resolução n0 871/2021, elaborada pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), resume bem o valor da coletividade para um trânsito seguro. A frase “Juntos salvamos vidas” está destacada no artigo 2, representando  um direcionamento para as campanhas educativas. 

Entre essas ações, promovidas pelas entidades e órgãos do Sistema Nacional de Trânsito (SNT), se destaca o Maio Amarelo — considerado o mês da conscientização no trânsito

Quem criou esse movimento foi a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) no ano de 2014. Felizmente, as entidades nacionais de trânsito entenderam a importância dessa campanha e aderiram a ela.

Quem organiza, gerencia e toma a frente do Maio Amarelo são as equipes de comunicação e educação do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Mas todas as ações são reguladas e direcionadas pela já citada Resolução do CONTRAN.

Algumas estatísticas sobre o trânsito brasileiro revelam o quanto são importantes as iniciativas da campanha Maio Amarelo:

Sem dúvidas, esses números assustam. Justamente por isso as atividades do Maio Amarelo busca conscientizar todos os brasileiros sobre o cuidado no trânsito. O principal objetivo é que o conhecimento incentive a prevenção, diminuindo as estatísticas negativas sobre incidentes no trânsito. 

Como promover a campanha na empresa?

As empresas não só podem, como devem, colaborar na divulgação e no sucesso das ações do Maio Amarelo. Afinal, os colaboradores fazem parte da sociedade. Muitos deles são motoristas, ciclistas ou motociclistas; todos são pedestres, em determinadas situações, passageiros.

Além disso, existem organizações que trabalham diretamente com o transporte e, portanto, precisam orientar os profissionais que dirigem os veículos da frota interna. 

Quais são as melhores ações para demonstrar a importância desse movimento para os colaboradores? A seguir, apontamos as principais.

Kit informativo

Com certeza, a comunicação é uma das melhores estratégias de conscientização da segurança no trânsito. Por meio dela, a empresa ensina, corrige conceitos e hábitos errados, estimula e reforça conhecimentos aprendidos. Vale lembrar que a comunicação pode ser verbal, escrita ou visual.

A empresa pode explorar todas essas formas de comunicação por meio de um kit informativo com dicas, frases e objetos personalizados sobre o Maio Amarelo. Entre os itens que podem ser incluídos no kit, estão:

  • Porta retrato para veículos;
  • Bolsa térmica;
  • Cartões informativos;
  • Adesivos;
  • Suporte e capa para o celular;
  • Travesseiro de pescoço.

Para a comunicação verbal, os cartões informativos podem indicar um site, blog ou canal de vídeos voltados para a educação no trânsito. Se a empresa tiver uma rede social ou TV corporativa, é interessante produzir conteúdos relacionados com o Maio Amarelo e também indicá-los nos cartões.

Jogo das escolhas

Outra ação importante para a campanha são os treinamentos e workshops. Nesses eventos, as empresas conseguem incluir atividades divertidas e lúdicas. Dessa forma, os colaboradores participam da aprendizagem com mais engajamento, bem como melhoram a retenção dos conhecimentos.

Uma das atividades do Maio Amarelo que podem ser incluídas é o jogo das escolhas. Funciona assim: um cenário simples parecido com uma avenida urbana – com semáforo, faixa de pedestres, etc – é criado em um ambiente interno. 

A partir disso, alguns colaboradores são convidados a participar da brincadeira. Em uma simulação, um dos participantes ouve o celular tocar várias vezes. A equipe que conduz a atividade diz que é o chefe dele e pergunta o que faria: atender, mandar mensagem ou procurar um lugar seguro para estacionar e retornar a ligação?

A resposta certa é recompensada com brindes. Já a errada é encarada com tristeza e o participante recebe um informativo sobre regras básicas de segurança no trânsito. 

Além da brincadeira estimular um clima de descontração, alegria e interação entre os trabalhadores, é uma forma leve e menos engessada de reforçar aspectos centrais da educação no trânsito.

Palestras a favor da conscientização de trânsito

Os gestores podem realizar palestras voltadas para o tema Maio Amarelo. Durante esses eventos, os colaboradores serão convidados a expressar dúvidas, elaborarem sugestões e falarem o que tem feito para garantir um trânsito mais seguro.

Se for possível, a empresa pode convidar para esses eventos autoridades de trânsito, profissionais que atuam em escolas de formação de condutores e especialistas em segurança no trânsito. O resultado é o aumento na credibilidade das informações que serão passadas no evento.

Os que assistirem toda a palestra, podem receber um certificado com carga horária. Além disso, todas as palestras relacionadas ao Maio Amarelo podem ser disponibilizadas em canais internos de comunicação, para que sejam revisitadas sempre que necessário. 

Checklist de segurança

Um recurso visual que reforça a importância do Maio Amarelo é o checklist de segurança. Ele nada mais é do que um lembrete com as principais regras para garantir um trânsito seguro. Por exemplo:

  • Aperte o cinto de segurança;
  • Confira os freios;
  • Verifique os pneus;
  • Observe o nível da água e do óleo;
  • Veja se os faróis estão funcionando;
  • Não beba antes de dirigir.

Esse checklist pode ser distribuído em kits, mensagens instantâneas, e-mails, redes sociais, TV corporativa e também fixado em murais internos. O ideal é que seja um checklist bem visual e objetivo, para facilitar a retenção da informação.

O que diz a lei sobre o acidente de trajeto?

O acidente de trajeto (também chamado de acidente de trânsito ou acidente de percurso) acontece quando um colaborador sofre algum dano físico no deslocamento entre a residência e o trabalho – ou vice-versa

Não importa o meio utilizado na locomoção: carro, bicicleta, motocicleta ou transporte público – de acordo com a Lei n0 8.213/91.  Essa legislação também deixa claro que o acidente de trajeto é um acidente de trabalho.

Após a reforma trabalhista, uma regra da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) pode causar dúvidas. No artigo 58, é dito que o tempo de deslocamento entre a casa e empresa não é contado como jornada de trabalho. 

Porém, essa norma se refere apenas à contagem de horas para fins de cálculos da folha de pagamento. Sendo assim, não se aplica ao acidente de trajeto.

Como a empresa pode contribuir para evitar acidentes de trajeto?

Segundo o estudo “Cenário brasileiro de acidentes de trabalho e trajeto”, publicado pela Younder, de 1970 a 2018, foram registrados 2.907.121 acidentes de trajeto. Em 2019, esse tipo de acidente representou 17,54% do total de acidentes de trânsito no Brasil.

Por meio de estratégias eficientes, a empresa pode evitar que seus profissionais entrem para esses números, reduzir ou até eliminar os acidentes de trajeto. Essas ações podem ser desenvolvidas aproveitando a   campanha do Maio Amarelo. 

No entanto, elas devem ser aplicadas e reforçadas durante todo o ano. A seguir, elencamos algumas dessas ações.

Diminuir o nível de estresse dos colaboradores

As empresas que utilizam veículos em suas atividades, como as da área logística, vendas e atendimento – in loco – ao cliente, devem redobrar os cuidados com a segurança no trânsito. Visto que, os seus colaboradores estão constantemente em deslocamentos nas vias urbanas, estaduais e interestaduais.

Para conscientizar os profissionais, essas organizações devem se engajar de maneira especial no Maio Amarelo. Entretanto, os ensinamentos, práticas e regras obtidas nessa campanha devem fazer parte de um programa interno de segurança no trânsito. 

Nele, a empresa definirá medidas preventivas, como a redução do nível de estresse dos colaboradores. Como fazer isso? O primeiro passo é criar um bom ambiente de trabalho que contribua para o bem-estar físico e emocional dos trabalhadores. 

Por exemplo, para evitar o cansaço mental e o desenvolvimento da síndrome de burnout, é possível flexibilizar os horários de trabalho. Dessa forma, os profissionais podem evitar enfrentar o trânsito em horários de picos de engarrafamentos.

Podemos também pensar em trabalhadores que atuam fora dos escritórios. No caso de equipes que trabalham em horários comerciais com um alto volume de demanda, como instaladores de internet e entregadores (comida e compras), por exemplo, é importante ter um time robusto. 

Isso significa contratar mais funcionários para haver um revezamento. Dessa forma o acúmulo de trabalho e o cansaço que podem ocasionar acidentes são evitados.

Além do mais, é essencial, quando for o caso, que a empresa forneça os equipamentos de proteção individual (EPI’s) adequados para cada função. 

Trabalhar com benefícios corporativos

Outro benefício é disponibilizar terapias alternativas ou sessões com psicólogos para melhorar a saúde emocional dos profissionais. O resultado é que conseguem lidar melhor com desafios comuns do trânsito. Oferecer plano de saúde e ações que motivem os trabalhadores, como formações para o desenvolvimento de soft skills e habilidades comportamentais também podem ser útil nesse processo.  

Afinal de contas, com a saúde emocional em dia e as capacidades emocionais bem trabalhadas, fica mais fácil dirigir com calma e de forma preventiva.

Flexibilizar a jornada de trabalho

Uma ação possível nas empresas que possuem a maioria dos colaboradores dentro de escritórios é optar pelo formato híbrido de trabalho ou pelo teletrabalho. Isso ajuda na redução dos acidentes de percurso ou de trânsito. 

O formato híbrido – funciona para os modelos 100% home office – significa que os profissionais podem escolher os dias que exercerão suas atividades em casa e no escritório da empresa. 

Esse benefício reduz a cansativa rotina de pegar trânsito todos os dias, e aumenta a satisfação do trabalhador de não ter que se deslocar a grandes distâncias. 

Analisar a estrutura de equipamentos

Todos os veículos da empresa devem estar em dia com a manutenção – caso sua empresa tenha uma frota. Para isso, é necessário realizar revisões periódicas sem atrasos e arrumar peças quebradas. Esses serviços devem ser realizados por profissionais especializados em mecânica de automóveis.

Mas porque esse cuidado é importante? Sem manutenção periódica, os condutores ficam expostos a acidentes causados por: falta de freio, não funcionamento das luzes sinalizadoras, batida do motor, etc. 

Por outro lado, um veículo bem cuidado, além de reduzir as chances de acidente, confere maior tranquilidade e bem-estar aos motoristas.

Quais os direitos do funcionário que sofreu acidente de trajeto?

Como dito no tópico anterior, o acidente de trajeto se equipara ao de trabalho. Sendo assim, os que sofrem esse tipo de dano, possuem direitos trabalhistas e previdenciários. A seguir, apontamos quais são eles.

Emissão de CAT

A área de recursos humanos (RH) deve emitir a Comunicação de Acidentes do Trabalho (CAT). O prazo é de até um dia após o acidente. O passo a passo para o envio desse documento está no site GOV.BR. Quando a empresa não emite o CAT no prazo, pode sofrer ações trabalhistas.

Auxílio-doença

Se o acidente deixou o colaborador impossibilitado de trabalhar por mais de 15 dias, terá direito ao auxílio-doença. Esse benefício será pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para entender como dar entrada nesse auxílio, o INSS disponibilizou todas as etapas no seu portal oficial.

Estabilidade

Outro direito do colaborador acidentado é a estabilidade. Segundo a Lei 8.2134/91, esse benefício se estende por 12 meses a partir da alta previdenciária. Enquanto estável, o profissional não pode ser demitido sem justa causa.

Quais indenizações são responsabilidade da empresa?

Diante de um acidente de trabalho, o colaborador pode ter direito a um ou vários tipos de indenizações, como:

  • Pensão por perda ou redução na capacidade de trabalhar;
  • Danos estéticos;
  • Despesas e gastos obtidos devido ao acidente;
  • Danos morais.

Para ter acesso a esses direitos e receber a indenização da empresa, além da já citada emissão do CAT, é necessária a comprovação da culpa – negligência, descaso e omissão – ou dolo (intenção) por parte do empregador. Já o valor, tempo e forma de pagamento dependem das circunstâncias de cada caso.

Para concluir, podemos afirmar que o Maio Amarelo tem efeitos maiores do que a conscientização geral dos motoristas de trânsito. Na verdade, essa campanha tem impactos significativos também na qualidade da atuação das empresas.

Como vimos neste artigo, muitos profissionais dirigem enquanto executam suas atividades de trabalho. Sendo assim, podemos dizer que as ações educativas do maio amarelo alcançam todas as esferas da sociedade.

Assim como campanhas como o Maio Amarelo devem ter suas ações planejadas no interior das empresas, os setores de DP e RH precisam elaborar estrategicamente diversas ações e atividades ao longo do ano. 

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