Cálculo da folha de pagamento: aprenda de uma vez por todas!

Tempo de leitura: 6 minutos

Quer aprender de uma vez por todas a fazer os cálculos da folha de pagamento?

Veja no vídeo abaixo os principais itens para calcular o salário líquido dos funcionários.

 

Você pode acompanhar também a transcrição abaixo do que foi dito no vídeo:

Olá, pessoal! Bem vindos a mais um RH no Quadro, onde a gente tenta desmistificar ou simplificar um pouco os assuntos mais complexos, mais chatos do RH!

Hoje vamos falar sobre algo que é chato, mas muito importante e faz parte da rotina do RH: Folha de Pagamento.

Vamos ver passo a passo como se faz o cálculo da folha de pagamento. É óbvio que se torna impossível calcular tudo na mão, então uma planilha para você conciliar a sua folha com o que vem do contador ou com o que vem do software de folha é recomendado.

Você tem que entender o que você está pagando e só dessa forma deixar de correr riscos trabalhistas ou riscos por algum erro manual que possa acontecer – e que acontece quanto mais manual e burocrático é o trabalho.

Então vamos lá!

Como sempre a gente tem um exemplo aqui no quadro e nele temos um funcionário que ganha R$3.500 reais. Quando você processa a folha de pagamento você tem basicamente três itens principais:

  •  INSS
    Na parte do INSS temos dois componentes: o do funcionário e o da empresa.
    No componente do funcionário você retém do pagamento dele na folha, ou seja, você deduz do salário dele e paga – ou seja, você é responsável por pagar essa guia.
    No componente da empresa você também tem que pagar mas nessa parte o funcionário não é debitado.
  • FGTS
    Na parte do FGTS o funcionário não é debitado. O fundo de garantia é depositado na caixa, só a empresa paga, não é descontado do salário do funcionário.
  •  IRRF
    O imposto de renda retido na fonte o governo também delega para a empresa fazer a cobrança e a dedução do salário.

Vamos ver cada um desses itens mais detalhadamente:

INSS do Funcionário

O INSS tem duas tabelas, a patronal e a do funcionário.

Vamos ver primeiro a do funcionário. Para R$3.500 vamos na tabela do INSS e encontramos essa terceira faixa (entre R$2.331,89 e R$4663,75), onde a alíquota é de 11%. *Observe que a tabela utilizada é a vigente em 2015.

ATENÇÃO: você precisa atualizar a tabela do INSS utilizada nos cálculos, pois ela muda todo ano. A tabela do vídeo está sendo usada como exemplo para a realização dos cálculos, não use estas tabelas!

Você vê então o salário, identifica qual a faixa correspondente. 11% de R$3.500 dá R$385, ok? Armazene esta informação.

IRRF

Neste cálculo você pega o salário bruto do funcionário, desconta o INSS já calculado – neste caso para fins de imposto de renda você desconta o INSS -, identifica a faixa e multiplica pela alíquota correspondente.

Logo, temos R$3.500 – R$385 = R$3.115, que cai na terceira faixa com uma alíquota de 15%. Note que esta tabela de imposto de renda tem uma coluna para alíquota e outra coluna para a dedução. Vamos ver então como usar isso!

Aplicando o 15% na nossa conta chegamos ao valor R$3.115×15% = R$467,25. Desse número, aí sim, você precisa fazer a dedução correspondente da faixa encontrada, que neste caso é R$354,80. O que dá então no nosso exemplo, R$467,25 – R$354,80 = R$112,45. Faça a conta para ter certeza que entendeu!

Pagamento Final do Funcionário

O pagamento final líquido para o funcionário, neste exemplo, é de R$3.002,55 (R$3.500 – R$385 – R$112,45). Se o funcionário não enviar uma carta para o sindicato é muito provável que ele tenha que fazer a contribuição assistencial.

Neste caso você deve consultar o seu sindicato e ver de quanto é essa contribuição assistencial. No nosso exemplo consideramos R$50 reais. É dever da empresa descontar esse valor e emitir um boleto para o sindicato.

Descontando então esses valores, no caso onde o funcionário faz a contribuição assistencial, o pagamento que a empresa deveria fazer para o funcionário é de R$2.952,55.

Isto é quanto o funcionário recebe. É também quanto a empresa gasta? Não! Ela gasta isso mais todos os valores em vermelho aqui na tabela que ela deve recolher.

Vamos ver então, os outros valores que ela precisa recolher.

INSS patronal

Além dos valores que a gente já calculou, a gente tem que recolher o INSS patronal. Neste caso temos uma outra tabela onde a alíquota correspondente para o nosso exemplo é a de 20%. Logo, R$3.500×20% = R$700.

FGTS

O FGTS é de 8% (no dia em que estamos gravando este vídeo) sobre o salário, então R$3.500×8% = R$280.

Todas essas alíquotas você deve sempre atualizar, já que no Brasil elas são variáveis.

Então a sua empresa vai ter que pagar R$2952,55 para o funcionário + R$50 para o sindicato. Além disso ela vai precisar recolher uma guia de R$280 para o FGTS, R$112,45 em uma guia de DARF de imposto de renda…

E a guia do INSS? Somamos R$385 a R$700? Não!

Sobre a guia de INSS você precisa calcular ainda:

  • RAT
    É o seguro de acidentes de trabalho. Essa tarifa varia entre 1% a 3% sobre o valor da guia de INSS calculada.
    Por que varia de 1% a 3%? Varia de acordo com o seu risco de acidente de trabalho, você vai consultar em uma tabela pelo código da empresa na receita o seu percentual.
  • Outros
    5,8% em cima da guia de INSS para SESI, SENAI e todas as outras instituições que fazem parte, que é obrigatório o recolhimento pela empresa.

IMPORTANTE: sempre consulte o seu contador, a sua convenção sindical para ver se esses são realmente os valores. Nós estamos usando como exemplo aqui para explicar a folha de pagamento.

Nesse exemplo então o funcionário vai receber R$2952,55, praticamente R$600 a menos do que o seu salário bruto.

A empresa vai precisar de quanto para fechar a folha desse funcionário? R$4.542,93, ou seja, 30% acima do salário bruto.

Tendo entendido isso, tem um detalhe que a gente precisa falar aqui: o que acontece se a empresa tiver desoneração da folha de pagamento? Ou se ela for optante pelo simples?

Se isso acontecer, no caso de desoneração de folha, a guia de INSS patronal deixa de existir. Os outros cálculos continuam iguais. No lugar da guia de INSS patronal, entra o guia da desoneração, que é um percentual sobre a receita bruta da empresa.

Ou seja, se houver desoneração, se a sua empresa estiver na lista das empresas que podem, ou no caso agora que é obrigatória a desoneração da folha, você deixa de recolher esse valor do INSS patronal e passa a recolher uma alíquota sobre a receita bruta.

Isso pode não ser muito bom, já que a receita bruta não significa que você tem lucro.

Fim da Transcrição

Para entender mais sobre a folha, criamos o Guia da Folha de Pagamento, que explica em detalhes o que é a folha, como realizar o seu processamento e como organizar para que o controle financeiro não saia da sua mão.

folha de pagamento excel

Os comentários foram encerrados, mas trackbacks e pingbacks estão abertos.